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quarta-feira, 18 de junho de 2014
domingo, 8 de junho de 2014
Sustentabilidade
Opinião - http://www.cartacapital.com. br/sustentabilidade/a-negacao- do-meio-ambiente-9277.html
A negação do meio ambiente
No dia do meio ambiente, devemos questionar a crença de que a ciência e a tecnologia são capazes de resolver qualquer problema ambiental. Por Dal Marcondes
por Dal Marcondes, da Envolverde — publicado 05/06/2014 12:43
Prakash Mathema / AFP

Crianças nepalesas participam de evento na vila de Gokarna, nas cercanias de Kathmandu, capital do Nepal, em comemoração ao dia do meio ambiente, nesta quinta-feira 5
O século 20 conseguiu consolidar o apartheid entre a humanidade e as dinâmicas próprias dos ecossistemas e da biosfera. Até o final do século 19, quando nasceu meu avô, a vida na terra, em qualquer que fosse o país, tinha estreitos laços com os produtos e serviços da natureza. O homem dependia de animais para a maior parte do trabalho, para locomoção e mal começava a dominar máquinas capazes de produzir força ou velocidade. Na maioria das casas o clima era regulado ao abrir e fechar as janelas e, quando muito, acender lareiras, onde madeira era queimada para produzir calor.
Cem anos depois a vida é completamente dominada pela tecnologia, pela mecânica, pela química e pela eletrônica, além de todas as outras ciências que tiveram um exponencial salto desde o final do século 19. Na maior parte dos escritórios das empresas que dominam a economia global a temperatura é mantida estável por equipamentos de ar condicionado, as comunicações são feitas através de telefones sem fio e satélites posicionados a milhares de quilômetros em órbita, as dores de cabeça são tratadas com comprimidos e as comidas vêm em embalagens com códigos de barra.
Não se trata aqui de fazer uma negação dos benefícios do progresso científico, que claramente ajudou a melhorar a qualidade de vida de bilhões de pessoas, e também deixou à margem outros bilhões, mas de fazer uma reflexão sobre o quanto de tecnologia é realmente necessário e o que se pode e o que não se pode resolver a partir da engenharia. As distâncias foram encurtadas e hoje é possível ir a qualquer parte do mundo em questão de horas, e isso é fantástico. No entanto, nas cidades, as distâncias não se medem mais em quilômetros, mas sim em horas de trânsito. E isso se mostra um entrave para a qualidade de vida.
Computadores, internet e telecomunicações tornaram o mundo menor e abriram as portas de um universo de conhecimento inimaginável poucos anos atrás. Ainda na década de 1990 fiz uma entrevista com o pensador norte-americano Alvin Toffler , autor de A Estrada do Futuro e perguntei porque o futuro que se desenhava era tão diferente do que havia sido previsto poucos anos atrás, da década de 1970. “Simples”, respondeu ele. “Ninguém foi capaz de prever que os computadores se tornariam eletrodomésticos, e mais ainda, que eles seriam ligados em rede possibilitando comunicação universal entre pessoas e bancos de dados”, concluiu. Ou seja, a web, a internet como conhecemos hoje, 20 anos depois daquela entrevista, não foi uma evolução previsível.
Romantismo pragmático
Há um certo romantismo em pensar na vida em comunhão com a natureza, onde as pessoas dedicam algum tempo para o contato com plantas, animais e ambientes naturais. Eu pessoalmente gosto e faço caminhadas regulares em praias e trilhas. Mas não é disso que se trata quando falo na ruptura entre a engenharia humana e as dinâmicas naturais. Há uma crença que está se generalizando de que a ciência, a engenharia e a tecnologia são capazes de resolver qualquer problema ambiental que surja. E esse é um engano que pode ser, em muitos casos, crítico para a manutenção do atual modelo econômico e cultural das economias centrais e, principalmente, dos países que agora consideramos “emergentes”.
Alguns exemplos de que choques entre a dinâmica natural e o engenho humano estão deixando fraturas expostas. A região metropolitana de São Paulo está enfrentando uma das maiores crises de abastecimento de água de sua história. As nascentes e áreas de preservação que deveriam proteger a água da cidade foram desmatadas e ocupadas, no entanto a mídia e as autoridades em geral apontam a necessidade de mais obras de infraestrutura para garantir o abastecimento, como se a produção de água pelo ecossistema não tivesse nenhum papel a desempenhar.
No caso da energia também existe uma demanda incessante por mais eletricidade, mais combustíveis e mais consumo. Isso exige o aumento incessante da exploração de recursos naturais e não renováveis. Pouco ou nada se fala na elaboração de programas generalizados de eficiência energética, de modo a economizar energia sem comprometer a qualidade de vida nas cidades.
Outro ponto de descolamento é a gestão de resíduos. Grande parte dos ambientes naturais está contaminada por plásticos e outros resíduos produzidos pelo descarte de produtos usados e embalagens. A gestão de resíduos tem sido encarada como um problema de engenharia, fala-se muito em aterros sanitários e em “queima energética” dos resíduos, o que levaria a agravar outro problema presente na agenda ambiental do século 21, as mudanças climáticas, causadas principalmente pelas emissões de gás carbônico das atividades humanas. Pouco ainda se faz em direção a uma eficaz redução da geração de resíduos ou da utilização maior de materiais reciclados e/ou biodegradáveis.
Serviços Ambientais
Há também o desmatamento em todos os biomas brasileiros e ao redor do mundo. Monitora-se muito os dados sobre a Amazônia, mas há problemas sérios na Mata Atlântica, cujos dados recentes mostram aumento da área desmatada, no Cerrado, onde estão as nascentes de alguns dos grandes rios brasileiros, e até na Caatinga, que sofre periodicamente com longos períodos de estiagem.
Todos esses dilemas, porém, parecem alheios ao cotidiano das grandes cidades, onde o trânsito e o tempo (medido em horas) ocupam os espaços de preocupação. Não há no imaginário de pessoas que vivem em ambientes artificiais de edifícios, automóveis e espaços urbanos degradados uma clara noção dos vínculos existentes entre suas vidas e os serviços ambientais prestados pelos ecossistemas.
A desconexão vai além da simples percepção, nas cidades as pessoas se recusam a mudar comportamentos negligentes como o descarte inadequado de resíduos ou desperdícios de água e energia. Há muito a mudar. Pessoas, empresas, governos e organizações sociais são os principais atores de transformação, mudanças desejáveis e possíveis, mas que precisam de uma reflexão de cada um sobre o papel do meio ambiente na vida moderna.
É um equívoco pensar que civilização e meio ambiente são departamentos estanques. O moderno modo de vida das sociedades de consumo depende da resiliência dos ecossistemas em oferecer água, alimentos e todo o tipo de produtos minerais e vegetais necessários para a manutenção da sociedade do século 21.
A profunda descrença na capacidade humana em mudar é, na verdade, uma atitude inconsequente de uma geração acomodada no individualismo e no consumismo, onde as relações sociais se dão mais em redes cibernéticas do que no bom e velho calor humano. As sociedades humanas vivem em constante mutação, como mostra a história. Negar a possibilidade de que o futuro seja um bom lugar para se viver é violentar os direitos de nossos filhos e netos de ter uma existência digna.
registrado em: Meio Ambiente
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Eu sou adepto da crença que a ciência e a tecnologia são capazes de resolver qualquer problema ambiental.
Será por meio da ciência e da tecnologia que encontraremos recursos renováveis, e obtenção de formas sustentáveis de produção de bens, de alimentos, e geração de energia.
O problema ocorre quando a ciência e a tecnologia estão subordinadas a uma lógica social voltada exclusivamente para a acumulação e geração de lucro, e que para isso nos afasta da natureza, e incentiva o consumo e o descarte desenfreado.
Uma lógica que carrega dentro de si a contradição de que, se por um lado possibilitou o próprio avanço da ciência por meio de sua necessidade de constante inovação, por outro gera mecanismos e reservas de mercado que conduzem a ciência apenas pela via do retorno financeiro (mais imediato possível, de preferência), e nunca pela via do bem estar social e da preservação da diversidade animal e vegetal.
E se essa lógica não mudar, continuaremos vendo criar-se o problema para venderem a solução, até a completa inviabilização da vida nesse planeta.
Programas como esses de geoengenharia do clima estão aí para servir de exemplo...

quinta-feira, 15 de maio de 2014
quarta-feira, 19 de março de 2014
A menina que fugiu do fogo
I
Era uma vez uma menina que nasceu há muito tempo,
num vilarejo do interior do nordeste. Ela foi a primeira dos oito filhos da
família. Eu disse OITO filhos, porque nordestino é bicho besta pra ter família
grande. Pelo menos naquele tempo antigo era assim.
Acontece que quando ela tinha dois irmãos e mais um na barriga da mãe que estava
grávida pela quarta vez, e o pai tinha desabado para Brasília em busca de
emprego para sustentar a família que estava crescendo, aconteceu um ocorrido
que mudou a vida da família para sempre: a casa deles pegou fogo! Era mês de
agosto, pensa num incêndio no nordeste, no mês de agosto! Rapaz, foi um
rebuliço só! Tiveram que vir para Brasília, pois ficaram no olho da rua, só com
a roupa do corpo.
Essa foi a sorte deles! Chegaram e foram direto
para o Gama, onde o pai morava de aluguel num barraco. A menina logo começou a
estudar, no que foi seguida pelos irmãos.
Tempos depois conseguiram um lote no Pedregal e
construíram, aos poucos, como é de costume entre os pobres, uma casinha.
Mudaram pra lá. Só havia uma escola onde ela fez a quarta série. Depois foi
preciso ir para o Gama dar continuidade nos estudos.
Eita tempo difícil! Atravessaram muitos
perrengues. Uma vez, a mãe teve que vender um botijão de gás para pagar a
passagem dos filhos para a escola. E o tempo foi passando com muitas
dificuldades...
A menina, que já era mocinha, terminou o segundo
grau, fez o Magistério e começou a dar aulas no DF. As coisas começaram a
melhorar! Os outros também estudavam; os pais continuavam analfabetos, pode-se
dizer.
Um dia ela resolveu fazer faculdade, tenta aqui,
ali, passou no vestibular da UnB. Nesse tempo as coisas já tinham melhorado um
pouco. Ela se casou, morava no Pedregal, trabalhava no Gama e estudava na Asa
Norte. Todo esse percurso era feito de ônibus!
Depois da faculdade, quando já tinha filhos,
decidiu fazer mestrado. Era danada, essa mulher! E foi o que fez, também na
UnB. Depois fez doutorado, para o orgulho de toda a família. Hoje ela é
professora, há 28 anos; vive muito melhor dos que nos tempos passados. Já
escreveu um livro, teve filhos e plantou árvores, mas ainda não quer morrer.
Sabe quem é a menina que fugiu do fogo? Como diria
Roberto Carlos, essa menina sou eu!
Rosário Ribeiro Alves –
Gama, 19/03/2014
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
terça-feira, 24 de setembro de 2013
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