terça-feira, 26 de março de 2013

Textos de alunos publicados na Folha do Meio Ambiente


Cartas

21/03/2013

 

Alunos escrevem carta-manifesto

contra monstros invisíveis

 

Alunos da 3ª série do Ensino Médio, turma B, do Centro Educacional 08 do Gama, orientados pela professora Maria do Rosário do NR Alves, redigiram várias cartas relacionadas às atividades de educação ambiental. Vale a pena conferir alguns trabalhos:

 
 
Consumo desenfreado
 “A nosso ver, o consumo desenfreado da sociedade moderna é uma das maiores causas dos desastres ocorridos na natureza. Isso acontece porque, nos dias atuais, as pessoas estão cada vez sendo induzidas a consumirem mais, e com o mercado consumidor cada vez mais alto, é necessária a exploração de mais recursos naturais.
Sendo assim, ocorrem mais desmatamentos. Nas margens dos rios, lagos, das encostas das montanhas, Há mais extração de minerais e todos os tipos de recursos e com isso cria-se um efeito dominó.
Por isso, ocorre um dos maiores problemas ambientais, que é o Aquecimento Global. As suas consequências são: derretimento das geleiras Glaciais assim aumentando o calor e diminuindo o reflexo do sol, com o derretimento das geleiras aumentam também os furacões em 50%, causando sérios danos à população. 
Em meia década perdemos 90% das espécies de peixes e com as toxinas liberadas pelas indústrias somam 18 milhões de toneladas jogadas ao mar, o que ajuda em nada na preservação da vida marinha. Conclusão: todos os organismos da biosfera estão em declínio. O que estamos fazendo para melhorar essa realidade? Qual a herança que estamos deixando para as novas gerações?
Alunos:  Ana Diulia-3, Gabriel Costa-9, Mayara Feitosa-24, Phidel Kastro-26
 
 
Políticas públicas
“A sociedade vem enfrentando diversos problemas ambientais tais como: aquecimento global, alteração nos regimes de chuva, perda de biodiversidade, desmatamento, desertificação, poluição do ar e da água, perda de fertilidade dos solos, dentre outros que afetam a vida humana.
Sabemos que existem diversos problemas na política ambiental de governo como a extensão de importantes setores dentro dos órgãos de meio ambiente, graves deficiências estruturais dos órgãos ambientais federais, que dificultam o desenvolvimento e a implementação das políticas públicas voltadas ao tratamento da questão ambiental, inexistência de planejamento e precariedade na gestão no Ibama.
Há também deficiências no serviço florestal brasileiro com existência de incongruências entre as missões institucionais e suas diretrizes, nas estruturas organizacionais, nas prioridades dos órgãos, nas linhas de ação, além da inexistência de metas claras para orientar e avaliar suas ações entre outros.
Carlos Henrique, Dennis Vinicius, Douglas de Sousa e Renan Vinicius - CED-08 - Gama DF
 
 
Mudança de atitude
Percebemos que a cada ano as temperaturas estão ficando mais elevadas, assim, perdemos totalmente o controle sobre o clima. Como exemplo desse descontrole, alguns anos atrás as estações eram bem definidas, o verão era um período de elevadas temperaturas e dias mais longos, o inverno era um período de baixas temperaturas, mas hoje, as temperaturas ou são elevadas demais ou são baixas demais.
Com essa desorganização do clima, pessoas, animais e plantas estão sofrendo as consequências. Com a ajuda da poluição, do descontrole climático, dentre outros, as doenças raras estão ficando comuns tais quais, câncer, alergias, dores de cabeça.
Diante de todo o exposto temos a firme convicção de que é preciso mudar sua atitude em relação ao meio ambiente. A ação individual é importante, se cada um fizer a sua parte teremos uma vida melhor. 
Alunos: Ana Cristina-2, Karine de Sousa-15, Luana Letícia-19 e Raquel Dias-28
 
 
Preservação ambiental
‘Somos contra o desmatamento, a poluição e qualquer forma de agressão ao meio ambiente. Do nosso ponto de vista o planeta está em completo declínio ambiental. Podemos colocar em questão os desastres naturais, o consumo excessivo, o aquecimento global, a extinção de várias espécies animais e tantos outros problemas que causamos ao meio em que vivemos.
       Conforme já registrado por inúmeros ambientalistas, se não tomarmos as providências necessárias e não melhorarmos nossas ações, em poucos anos sofreremos ainda mais as consequências dos nossos atos, pois a natureza não consegue substituir em ritmo acelerado tudo aquilo que retiramos excessivamente. Se cada um de nós fizer nossa parte, reduziremos parcialmente os danos causados ao planeta’.
Alunos: Krys Ellen Lins, Grazielle Gualbert , Welberth Ferreira, Luiz Guilherme.
 
 
Desmatamento: tolerância zero
‘O fato de não cuidarmos da natureza está se agravando cada dia mais, a falta de conscientização das pessoas está afetando o futuro da nação e o futuro da humanidade.
A gravidade do problema é altamente preocupante, pois todos os organismos estão em declínio. Já não é possível encontrar água potável em grande abundância, as florestas estão destruídas e desmatadas, o ar que respiramos é poluído, ou seja, não temos estabilidade, estamos destruindo o meio ambiente, e nos destruindo automaticamente.
Lembremos ainda que, por conta do desmatamento, os habitats naturais estão sendo destruídos e não há como voltar atrás, pois muitos animais já estão extintos’.
Alunos do CED-08 (Juliana Alves, Elizabeth Herllen, Thamilla,Tatiane, Wallafi)
 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Comida no lixo


Metade da comida do mundo vai parar no lixo, diz relatório
BBC BRASIL Atualizado em  10 de janeiro, 2013 - 10:13 (Brasília) 12:13 GMT



Um relatório de uma organização britânica indica que até metade de toda a comida produzida a cada ano no mundo, ou cerca de dois bilhões de toneladas, vão parar no lixo.


O documento, intitulado Global Food; Waste not, Want not ("Alimentos Globais; Não Desperdice, Não Fique Sem", em tradução livre), diz que o desperdício está ocorrendo devido a uma série de motivos, entre eles as condições inadequadas de armazenamento,consumidores que compram sem necessidade e a adoção de prazos de validade demasiadamente rigorosos.


Outro problema é a preferência dos consumidores por alimentos com um formato ou cor específicos. O estudo diz que até 30% das frutas, verduras e legumes plantados na Grã-Bretanha sequer são colhidos por causa de sua aparência.


O desperdício de alimentos também implica em desperdício de recursos usados para a produção deles, como água, áreas para agricultura e energia, alertou o relatório publicado pela Institution of Mechanical Engineers, uma organização que representa engenheiros mecânicos e reúne cem mil membros no Reino Unido.


Alimentos jogados no lixo


Promoções nos supermercados e preferências dos consumidores agravaram o problema


Ofertas nos supermercados


A ONU prevê que até 2075 a população mundial chegue a 9,5 bilhões de pessoas, um acréscimo de 3 bilhões em relação à população atual, o que reforça a necessidade de se adotar uma estratégia para combater o desperdício de alimentos e, assim, tentar evitar o aumento da fome no mundo.


De acordo com o relatório, o equivalente a entre 30% e 50% dos alimentos produzidos no mundo por ano, ou seja, entre 1,2 bilhão e 2 bilhões de toneladas, nunca são ingeridos.


Além disso, nos Estados Unidos e na Europa, metade da comida que é comprada acaba sendo jogada fora.


"A quantidade de comida desperdiçada e perdida no mundo é assombrosa. Isto é comida que poderia alimentar a crescente população mundial além de todos aqueles que atualmente passam fome."

Tim Fox, diretor da Institution of Mechanical Engineers


Tim Fox, diretor de Energia e Meio Ambiente da Institution of Mechanical Engineers, disse que o desperdício é "assombroso". "Isto é comida que poderia alimentar a crescente população mundial além de todos aqueles que atualmente passam fome."


"As razões desta situação variam das técnicas insatisfatórias de engenharia e agricultura à infraestrutura inadequada de transporte e armazenamento, passando pela exigência feita pelos supermercados de que os produtos sejam visualmente perfeitos e pelas promoções de 'compre um, leve outro grátis', que incentivam os consumidores a levar para casa mais do que precisam", disse.


Água


O relatório alertou que atualmente 550 bilhões de metros cúbicos de água estão sendo desperdiçados na produção de alimentos que vão para o lixo.


E o problema pode se agravar. Segundo a Institution of Mechanical Engineers, o consumo de água no mundo chegará a até 13 trilhões de metros cúbicos por ano em 2050 devido ao crescimento da demanda para produção de alimentos.


Isso representa até 3,5 vezes o total de água consumido atualmente pela humanidade e gera o temor de mais escassez do recurso no futuro.

O alto consumo de carne tem grande influência nesse aumento de demanda, visto que a produção de carne exige muito mais água do que a produção de alimentos vegetais.


"À medida que água, terra e energia passam a ser mais disputados devido à demanda da humanidade, os engenheiros tem um papel crucial a desempenhar no sentido de prevenir a perda e o desperdício de alimentos, desenvolvendo formas mais eficientes de produção, transporte e armazenamento", disse Fox.


El precio oculto de los alimentos, por Miguel Ángel Ortega

Publicado em janeiro 10, 2013 por HC



En un informe publicado en 2010, la ONU reconoció que la agricultura y los combustibles fósiles son las dos principales amenazas para el medio ambiente de la Tierra. La mayoría de los lectores entenderán rápidamente la alusión a los combustibles fósiles, pero seguramente la calificación de la agricultura como amenaza ambiental planetaria requiere una explicación más detenida.



Probablemente, el impacto más obvio de la agricultura sobre la naturaleza es la deforestación de enormes superficies para conseguir tierras de cultivo. Esta práctica es responsable del actual paisaje de grandes extensiones tanto en España como en otros países. El crecimiento de la población mundial conlleva una continua expansión de las tierras agrícolas a costa de ecosistemas de elevada biodiversidad, como es el caso de las selvas tropicales y otros bosques de países en vías de desarrollo. En este sentido, dos de los cultivos más nocivos para la salud del planeta son la soja y la palma de aceite. El aceite extraído de esta palmera es ingrediente de margarinas, cereales, patatas fritas, dulces, jabones, cosméticos, etc. En las etiquetas de los alimentos figura como “grasas o aceites vegetales”.

El comercio de larga distancia aumenta el perjuicio sobre el clima, puesto que incrementa la quema de combustibles fósiles para el transporte de los productos y, con ella, las emisiones de CO2, el principal gas responsable del cambio climático. Éste es uno de los rasgos de la Globalización, y afecta también a la agricultura. Por ello es muy aconsejable comprar alimentos de temporada producidos lo más cerca posible del punto de consumo. Este planteamiento es hoy día un tanto polémico, puesto que en opinión de algunas instituciones perjudica la economía de países en vías de desarrollo agroexportadores. En mi opinión, lo que realmente perjudica a estos países es su especialización en un tipo de agricultura de exportación que conlleva considerables inconvenientes, entre los cuales se pueden citar:

  • La concentración de la capacidad inversora y productiva del país en una actividad generadora de bajo nivel añadido y muy expuesta a vaivenes de precios.
  • La generación de desequilibrios sociales, pues se trata de agricultura intensiva que requiere grandes superficies, gestionada por empresas agroindustriales y que margina a los pequeños propietarios. Además está destinada más a cubrir la demanda de exportación que la propia demanda interna, por lo cual se llega a dar la paradoja de que algunos países exportadores de alimentos sufren hambrunas periódicamente.
  • Su elevado impacto ambiental y alto consumo de recursos naturales, como el agua y la energía.


La dimensión más lesiva social y ambientalmente de la agricultura es la producción no vinculada directamente a la alimentación humana. Aquí entran la producción de “alimentos” para coches (agrocombustibles) y para el ganado. Los agrocombustibles se impulsaron precisamente para sustituir a la gasolina y al gasóleo y así luchar contra el cambio climático. Pero diversos estudios han demostrado que muy a menudo el cultivo de estas plantas, su procesado y transporte consume más energía y produce más emisiones de gases de efecto invernadero (CO2, metano, N2O) que las que se evitan con su quema en los motores de los coches. Además, desde el punto de vista ético, es bastante cuestionable dedicar tierras a “alimentar” coches, cuando hay todavía muchas necesidades alimenticias humanas por satisfacer.

En el caso de los piensos y el forraje para criar el ganado se produce también un uso muy ineficiente de la tierra. Según un estudio citado en la Revista Ambienta (editada por el Ministerio de Agricultura, Alimentación y Medio Ambiente), mientras para producir un kg de vegetales se requieren 1,7 m2 de superficie, para producir un kg de carne es preciso ocupar unos 7 m2. La importación de alimento para el ganado es un gasto enorme, responsable del déficit del comercio agrícola español. Este es otro aspecto muy desfavorable, puesto que la inmensa mayoría de esas importaciones procede de América, y el transporte implica un plus de contaminación y de efecto invernadero, responsable del cambio climático. Según el citado artículo de la Revista Ambienta, si quisiéramos producir en España la cantidad de piensos y forrajes importados que come nuestro ganado, necesitaríamos dedicar en exclusiva a este fin una superficie equivalente a la de Navarra. Desde el punto de vista energético es un absurdo puesto que, de nuevo según Ambienta, la energía contenida en los alimentos que consumimos los españoles asciende a 235 Petajulios, pero para producirla se gastan 1.400 (equivalente a casi 239 mil millones de calorías).

Por ello no es de extrañar que la producción de un filete de vacuno de 120 gr para el mercado español genere, en el mejor de los casos, 3,18 kg de CO2, lo cual es comparable a recorrer 22 km con un coche de tipo medio. Y digo “en el mejor de los casos” porque esta cifra surge de suponer que la carne importada no procede de tierras que antes eran bosque, y eso es mucho suponer. En términos energéticos y medioambientales es mucho más eficiente el consumo de vegetales.

Una vez más encontramos un ejemplo de aquello de que “es de necios confundir valor y precio”. En realidad vivimos de prestado, pues una parte del precio real de las cosas lo van a pagar las generaciones futuras, quienes vivirán en un planeta más deteriorado, extremo en lo que al clima se refiere y quienes, por tanto, deberán soportar los costes económicos de esas peores condiciones de vida. Es necesario que seamos muy conscientes de todo esto, porque, en definitiva, nuestra comodidad puede significar la desgracia de otras personas, muchas de las cuales ni siquiera han nacido. Ecoportal.net

Por Miguel Ángel Ortega. Economista y director de la Asociación Reforesta

Asociación Reforesta


O desperdício de até 40% de alimentos custa caro aos EUA

Publicado em agosto 28, 2012 por HC



desperdício de alimentos


Os americanos desperdiçam até 40% de sua comida a cada ano, enchendo aterros sanitários com pelo menos US$ 165 bilhões em hortifrutigranjeiros e carnes numa época em que centenas de milhões de pessoas passam fome em todo o mundo, segundo análise divulgada na terça-feira pelo Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC, na sigla em inglês). Matéria do Washington Post, em O Estado de S.Paulo.


A análise, uma compilação de estudos e estatísticas, revela que há desperdício desde a fazenda até o garfo, mesmo agora que a seca ameaça elevar o preço dos alimentos. Os recursos que o governo dedicou para identificar onde estão as deficiências e como combatê-las são irrisórios em comparação com os esforços em curso na Europa.


Por enquanto, os preços americanos relativamente baixos facilitam o desperdício de comida, o que pode explicar a razão porque a família americana média de quatro pessoas termina jogando no lixo o equivalente a US$ 2.275 em comida todo ano, diz o relatório. Essa tendência perdulária piorara como tempo e hoje o americano médio desperdiça 10 vezes mais comida do que um consumidor do Sudeste Asiático e 50% mais do que nos anos 70.


“Não surpreende que a comida seja o maior componente do lixo sólido nos aterros”, disse Dana Gunders, cientista do NRDC que assina o estudo. A frustração dos ambientalistas é que recursos naturais – água, terra e energia – são usados para produzir todo esse alimento não consumido. “Estamos jogando fora quase a metade da comida que cruza nosso caminho”, disse Gunders. “É dinheiro jogado no ralo.”


A análise cita pontos fracos em cada etapa da cadeia produtiva. Na fazenda, os plantadores, às vezes, não colhem alimentos em razão dos preços ruins do mercado, que dificultam a recuperação dos custos.


O mercado também obriga os plantadores a selecionar as plantas que colhem, removendo alimentos com manchas ou outros defeitos cosméticos. O relatório cita um fazendeiro que estima que 75% dos pepinos que ele joga fora são comestíveis e uma empresa embaladora de tomate que afirma poder encher um caminhão de lixo com cerca de 10 mil quilos de tomates descartados a cada 40 minutos.


Quando bens perecíveis são embarcados de navio, eles também são rejeitados por distribuidores responsáveis por levá-los ao comércio local e por bancos de alimentos, que, às vezes, recebem quantidades maiores do que podem usar.


No entanto, muitos estudos sugerem que a maior parte do desperdício ocorre nas lojas e casas. O governo estima que supermercados percam US$ 15 bilhões por ano só em frutas e legumes não vendidos. O NRDC atribui parte dessas perdas ao excesso de produtos estocados para impressionar consumidores.


Em restaurantes, que também sofrem prejuízos com o desperdício de alimentos, tamanhos de porções que excedem os recomendados pelo governo desempenham papel importante. Ano passado, associações industriais lançaram uma iniciativa para ajudá-los a doar mais comida e reduzir os 36 milhões de toneladas de alimentos enviados aos lixões a cada ano.


A Europa, porém, saiu na frente. O Parlamento Europeu adotou uma resolução que cortará o desperdício pela metade até 2020. Na Grã-Bretanha, há cinco anos, alguns varejistas já estão usando promoções para desencorajar consumidores a comprar mais do que precisam – do tipo “compre a metade”, em vez da tática de “compre um e leve dois” usada nos EUA.


Segundo pesquisa do Shelton Group, 39% dos americanos classificaram o desperdício de comida como sua principal “culpa” – bem acima de deixar as luzes acesas ao sair (27%) ou não reciclar (21%). Suzanne Shelton, fundadora do grupo, disse que as pessoas têm as melhores intenções ao encher as sacolas de supermercado, mas a vida acaba interferindo. “Ficamos atolados no trabalho e nos vemos comprando uma pizza na volta para casa”, disse. “No fim de semana, jogamos fora a comida estragada da geladeira.” / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK


EcoDebate, 27/08/2012



domingo, 6 de janeiro de 2013

GUERRA CONTRA AS MULHERES NA ÍNDIA



Uma estudante de 23 anos morreu depois de ser estuprada por uma gangue em um ônibus por horas. Foi a gota d´água na guerra global contra as mulheres. Junte-se aos protestos na Índia, e peça ao governo para reforçar as leis e lançar uma campanha de educação pública para desafiar e envergonhar as atitudes grotescas que levaram a esta violência: 


Ela era uma estudante de fisioterapia de 23 anos que pegou um ônibus em Nova Délhi no mês passado. Seis homens trancaram a porta e a estupraram barbaramente por horas, inclusive com uma haste de metal. Eles a abandonaram nua na rua, e depois de corajosamente ter lutado por sua vida, ela morreu na semana passada. 

Em toda a Índia, as pessoas estão protestando para dar um basta nesta situação. Na Índia, uma mulher é estuprada a cada 22 minutos, e poucas encontram justiça. Globalmente, 7 em cada 10 mulheres serão abusadas fisica ou sexualmente em sua vida. O horror em Delhi é a gota d´água. Estamos em 2013 e a guerra brutal contra as mulheres no mundo precisar acabar. Podemos começar essa jornada pela Índia.

O governo está aceitando comentários públicos nas próximas 24 horas. Precisamos urgentemente de um melhor policiamento e um concreto programa de educação pública para mudar as atitudes grotescas, mas comuns, do sexo masculino que permitem a violência contra as mulheres. Se 1 milhão de nós nos juntarmos ao pedido por ação, poderemos ajudar a fazer deste terrível episódio a gota d´água e o início de uma nova esperança:

http://www.avaaz.org/po/end_indias_war_on_women/?beaKqdb&v=20673

O líder dos estupradores desta mulher disse friamente que ela mereceu ser violentada, pois ela ousou enfrentá-lo. Culpar a vítima e outras atitudes escandalosas são comuns em toda a sociedade, incluindo os policiais que constantemente deixam de investigar estupros. Tais atitudes reprimem mulheres e corrompem homens em todos os lugares. Campanhas de educação pública concretas alteraram radicalmente o comportamento social em casos como dirigir embriagado e fumar, e podem impactar no tratamento de mulheres. Combater as causas da epidemiad e estupro na Índia é vital, juntamente com leis mais eficientes e processos judiciais mais rápidos.

Anúncios publicitários na Índia são relativamente baratos, portanto, um compromisso de financiamento significativo poderia cobrir vários mercados de mídia por um bom tempo. Os anúncios devem visar subculturas masculinas, onde a conservadora misoginia prospera, desafiando e envergonhando diretamente essas atitudes, idealmente usando figuras populares como atletas, que carregam autoridade com o público.

Temos apenas 24 horas para influenciar a Comissão Oficial criada para encontrar formas de reprimir a onda indiana de violência sexual. Se conseguirmos mostrar o verdadeiro sucesso nas mudanças de atitudes na Índia, o modelo poderá ser aplicado em outros países. O dinheiro gasto pagará a si próprio por meio da redução da pobreza e promoção do desenvolvimento, pois o tratamento e o empoderamento das mulheres têm sido identificado como um dos maiores incentivos de progresso social e econômico. Clique para enviar uma mensagem diretamente para o governo indiano:

http://www.avaaz.org/po/end_indias_war_on_women/?beaKqdb&v=20673

Desde se opor ao apedrejamento de mulheres no Irã e apoiar os direitos reprodutivos femininos no Marrocos, no Uzbequistão e em Honduras, até fazer lobby para uma ação real de combate ao tráfico de mulheres e meninas, a nossa comunidade tem estado na linha de frente da luta para acabar com a guerra contra as mulheres. 2013 começa com uma nova determinação na Índia . 

Com esperança e determinação,

Emma, ​​Ricken, Luis, Meredith, Iain, Ian, Marie, Michelle, Alaphia, Allison e toda equipe da Avaaz

MAIS INFORMAÇÕES

Suspeitos de estupro de estudante indiana são indiciados por morte (G1)
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/01/suspeitos-do-estupro-da-estudante-indiana-sao-indiciados.html 

Estupro coletivo em ônibus causa comoção na Índia (BBC)
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/12/121219_india_estupro_onibus_rw.shtml 

Pai da vítima de estupro na Índia pede execução dos culpados (Estadão)
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,pai-da-vitima-de-estupro-na-india-pede-execucao-dos-culpados,980093,0.htm 

Morre jovem indiana que sofreu estupro coletivo em ônibus (Folha de S. Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1207752-morre-jovem-indiana-que-sofreu-estupro-coletivo-em-onibus.shtml 

Impunidade Estupros na Índia (Observatório da Mulher)
http://observatoriodamulher.org.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=6885&Itemid=1 


Apoie a comunidade da Avaaz!
Nós somos totalmente sustentados por doações de indivíduos, não aceitamos financiamento de governos ou empresas. Nossa equipe dedicada garante que até as menores doações sejam bem aproveitadas:

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Você compra na ZARA? Então leia isto.

Você compra roupas na Zara? Se sim, saiba que as suas roupas contêm perigosas substâncias químicas.
A Zara é, hoje, a maior marca no mundo da moda. Mesmo se você não comprar roupas lá, as substâncias químicas liberadas pelas centenas de fornecedores da Zara e pelas milhões de roupas produzidas podem ser encontradas no ambiente e te afetar.
Nós testamos roupas da Zara no começo do ano e encontramos produtos químicos que são conhecidos por se fracionar quando entram em contato com a água e formar substâncias que alteram a forma como os hormônios naturais atuam no corpo humano. Também encontramos traços de susbtâncias cancerígenas que são liberadas a partir de corantes. A Zara precisa limpar sua produção e se desintoxicar.
Assine a petição para que a Zara pare de poluir.
Assine a petição
Nós não podemos limpar as fábricas, os rios e a indústria têxtil sem ela. Estou te escrevendo sobre o segredo sujo da Zara porque para convencê-la a mudar precisamos que todos nós trabalhemos juntos ao redor do mundo.

sábado, 17 de novembro de 2012

Aula-passeio à Reserva Cachoeirinha - 15/11/12

Olha como foi o nosso feriado... Esses são nota 10!...

                                                                                                                             

                                                                              

Relato Aula-passeio na Reserva Cachoeirinha – GO
Aconteceu no dia 15 de novembro de 2012 uma aula-passeio na Reserva Cachoeirinha, uma RPPN (Reserva Particular de Patrimônio Natural) localizada no município de Santo Antônio do Descoberto, no estado de Goiás, próxima à BR 060 - km 6,5, do lado direito da rodovia que liga Brasília à Goiânia, cujo proprietário é o Senhor Jacy Guimarães.
Essa aula-passeio foi promovida pelo Centro Educacional 08 do Gama, Distrito Federal, uma escola pública da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal – SEEDF.  Seus objetivos foram:
1-      Conhecer uma RPPN e a história da sua constituição.
2-      Conhecer a importância de uma reserva desta natureza para a preservação de ecossistemas em perigo de degradação ou extinção.
3-      Vivenciar o contato com a natureza.
4-      Conhecer as formas de reflorestamento utilizadas na reserva.
Participaram do evento alunos da 3ª série do Ensino Médio integrantes do projeto “Educação Ambiental nas aulas de Língua Portuguesa”, coordenado pela professora Mª do Rosário do N.R. Alves, doutoranda em Educação na Universidade de Brasília – UnB - e professora de Língua Portuguesa da SEEDF. Na ocasião, foram acompanhados ainda pela professora Eufrázia Rosa, de Língua Portuguesa, regente das turmas participantes do projeto e pela professora Cleane Ribeiro.
A saída da escola foi às 8h e a chegada ao local foi por volta das 9h.  O Senhor Jacy Guimarães acompanhou o grupo desde a escola. Na entrada da Reserva, Jacy Guimarães contou um pouco da história da constituição da RPPN, informou sobre a programação do dia, que previa: aprendizagem das formas de contenção, escoamento e reserva da água da chuva, no projeto Barraginhas; de recuperação do solo; de formação de diques, no projeto Bivar e de organização da plantação de mudas. Os alunos conheceram, além disso, formas de banheiros ecológicos adotados na reserva.
Depois que ele expôs tudo isso, ao longo de uma caminhada exploratória por cerca de 2km, os visitantes puderam conhecer a cachoeirinha, que deu nome à reserva, onde desfrutaram de um almoço compartilhado e de momentos de lazer junto à natureza. Também conheceram, próxima à cachoeira, uma mina de água mineral, onde recolheram água para ser levada à casa de Jacy Guimarães, pequena sede no centro da reserva.
Por volta das 15h, o grupo voltou à sede da reserva, onde a aula-passeio foi encerrada com uma dinâmica de avaliação das atividades do dia, momento em que foram lidos a “Oração do Cerrado” e a “Carta de um inquilino”. Nessa atividade todos tiveram a oportunidade de expor os conhecimentos adquiridos durante todo o dia, refletir sobre as mensagens dos textos e agradecer à recepção do Senhor Jacy Guimarães e a sua disponibilidade. Vários participantes ressaltaram a admiração que sentiram pelo entusiasmo e convicção com que ele defende a preservação do meio ambiente, sobretudo do cerrado e lhe fizeram votos de saúde e vida longa.
O retorno à escola ocorreu às 16h. Este foi um dia de muita aprendizagem para todos e os objetivos da aula-passeio foram plenamente alcançados.
Gama, 24 de novembro de 2012.
Professora Mª do Rosário do N. R. Alves


















terça-feira, 13 de novembro de 2012

Aula-passeio à Reserva Cachoeirinha – Alexânia/GO




Data: 15/11/12
Horário: 8h (saída da escola) as 16h (retorno à escola)

Objetivos:
1-      Conhecer uma reserva particular e a história da sua constituição.
2-      Conhecer a importância de uma reserva desta natureza para a preservação de ecossistemas em perigo de degradação ou extinção.
3-      Vivenciar o contato com a natureza.
4-      Conhecer as formas de reflorestamento utilizadas na reserva.

Participantes:
Alunos da 3ª série do Ensino Médio do Centro Educacional 08 do Gama, participantes do projeto “Educação Ambiental nas aulas de Língua Portuguesa”.

Morador de rua se forma em Pedagogia na UnB


Mineiro Sérgio Reis Ferreira, que superou uma longa lista de adversidades até alcançar a graduação, entregou a monografia nas mãos do reitor José Geraldo de Sousa Junior

Grace Perpetuo - Da Secretaria de Comunicação da UnB


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Emília Silberstein/UnB Agência
 Sérgio entrega a monografia nas mãos do reitor José Geraldo de Sousa Junior
Os olhos de Sérgio Reis Ferreira têm um brilho intenso; o sorriso é de inesperada candura; as mãos evidenciam sofrimentos passados e um discreto nervosismo. A tentação de enxergá-lo como herói é grande – mas qualquer tentativa de apreender Sérgio na superfície é imediatamente frustrada: é preciso muito tempo e generosidade para reler o longo e árduo caminho que este idiossincrático ex-morador de rua percorreu até aqui, ao gabinete do magnífico reitor da Universidade de Brasília nesse mês de novembro de 2012. Foi no primeiro dia de novembro, então, que - com um sorriso tímido - o mineiro Sérgio enfim pôde entregar nas mãos de José Geraldo de Sousa Junior a monografia que atesta a conclusão do curso de Pedagogia iniciado por ele na UnB há seis anos, em 2006.
Incomum – e contundente por sua própria natureza –, o ato de entrega da monografia As dificuldades dos moradores de rua do Distrito Federal de se inserirem por meio da educação formal representou ao mesmo tempo o triunfo de Sérgio e o da Universidade em si, já que o ineditismo do caso obrigou a instituição a se desdobrar para manter o estudante aqui após a surpreendente aprovação no primeiro vestibular de 2006.  “A universidade que não lida com isto – que não acompanha esse aluno proveniente de situação adversa em todas as circunstâncias, até que complete o seu ciclo – é que fracassa, e não ele”, disse José Geraldo, em referência à constante ameaça de descontinuidade que pairava sobre Sérgio durante os anos na UnB.
De fato, para que o aluno fosse aprovado, fez-se um pacto. O acordo – por meio do qual se definiu a responsabilidade de cada um – envolveu os diversos atores cruciais ao processo: o próprio Sérgio, evidentemente; o professor e orientador Cristiano Alberto Muniz; a assistente social da UnB Lindalva Leonel; e a decana de Assuntos Comunitários (DAC) Carolina Cássia, por meio da Diretoria de Desenvolvimento Social (DDS), capiteaneada pela diretora Maria Terezinha da Silva; entre muitos outros na gestão de José Geraldo e nas gestões anteriores, de Roberto Aguiar e Timothy Mulholland.  
Institucionalmente, a Universidade colaborou para a permanência de Sérgio com apoio sob a forma de alimentação, transporte, assistência social, orientação pedagógica etc. “A Universidade cumpriu com o seu dever com relação a um aluno em situação de extrema vulnerabiliade – e talvez o nosso aluno mais vulnerável tenha sido de fato o Sérgio”, atesta a decana Carolina Cássia. Ela ressaltou a importância do trabalho da DDS, mas admitiu que, para lidar com um caso como este, professores e técnicos ainda têm muito a aprender. A experiência com Sérgio foi uma grande aula. Para a decana, o ex-morador de rua é uma figura emblemática: “O Sérgio vive a UnB”.
“De minha parte, tenho muito a agradecer a toda a equipe; à Universidade como um todo; e a todos os que puderam viabilizar este momento”, disse Sérgio durante o encontro com o reitor. “A educação não é só uma preparação para o trabalho, mas especialmente para a vida. É este o papel da Universidade – e isso ela cumpriu.”
ULTRAPASSAGEM – “Não estamos aqui em torno do personagem Sérgio – mas sim do sujeito que, sobretudo, saiu da condição de vítima e trouxe sua vida até aqui, realizando uma ultrapassagem”, disse o reitor José Geraldo, para quem Sérgio é “alguém que, mesmo numa situação adversa, confiou”: “Se chegamos até aqui, é porque ele quis assim”.
O reitor revelou que vem acompanhando atentamente a trajetória do aluno, e que sabe das dificuldades que o percurso representou não só do ponto de vista econômico, mas também nos aspectos subjetivo, social e intelectual. “Ainda assim, Sérgio nunca tentou me atingir pelo sentimentalismo”, disse o reitor. “A rua não é mais o seu lugar!”, disse a Sérgio, que agradeceu: “Obrigado mais uma vez por me fazerem crescer”.
O ORIENTADOR – Diante do enorme desafio de levar seu orientando a concluir o curso de Pedagogia, o orientador de Sérgio, professor Cristiano Alberto Muniz, foi muito além do que normalmente se espera de um docente nesta função acadêmica. A gratidão estava evidente no olhar de afeto que Sérgio lançava ao seu antigo professor durante o encontro no gabinete do reitor.
Emília Silberstein/UnB Agência
 Com o professor Cristiano Muniz: muito mais que um orientador
“Todos os alunos que já passaram pela Universidade ajudaram a construí-la – mas no caso de Sérgio isso é ainda mais especial”, disse professor Cristiano, acrescentando, no entanto – como a decana Carolina Cássia –, que o caso “revela o quanto ainda estamos despreparados para esta abertura”. Para orientar Sérgio foi preciso crescer como professor e como pessoa. “Esta revolta que às vezes aparece em Sérgio é explicável: ela resulta de uma dimensão subjetiva que só ele pode entender”, disse, revelando compreensão, afeto e muito respeito pelo ex-orientando.
O momento de desligamento da Universidade guarda certa tensão para todos os envolvidos na reinserção social de Sérgio: ao sair da Universidade, o rompimento do vínculo com a academia guarda uma ameaça velada, mas evidente. “Ainda não cortamos os laços umbilicais”, revela a diretora do DDS, Maria Terezinha da Silva. “Se eu deixar de acreditar que um ser humano pode ser reinserido, tenho de abandonar minha profissão – e eu acredito, ainda que Sérgio tenha tido altos e baixos, mas nós não desistimos, e continuamos a não desistir.”
Nesse sentido, o grupo está apoiando Sérgio na tentativa de resgatar o contato com uma antiga dona de creche que o acolheu na infância, no Rio de Janeiro. Agora, um dos sonhos profissionais do formando em Pedagogia é reabrir a creche em novos moldes. “A Universidade não oferece apenas o conhecimento de sala de aula, e Sérgio está mais preparado para a vida, agora”, disse Terezinha.
Todos os presentes expressaram a confiança em Sérgio neste momento crucial de sua trajetória. Para encerrar a pequena cerimônia afetiva, a assistente social Lindalva Leonel – com seu comprometimento, uma das grandes responsáveis pela permanência de Sérgio na Universidade – preparou uma apresentação sobre o aluno, ao som de uma versão de Bittersweet Symphony, da banda britânica The Verve.
A MONOGRAFIA – A monografia As dificuldades dos moradores de rua do Distrito Federal de se inserirem por meio da educação formal pulsa com a narrativa simples – movida por sua evidente inteligência e por uma candente sinceridade ao narrar sua trajetória. O trabalho mereceu a menção máxima, mas que não se avalie haver aí qualquer ranço paternalista. “A Universidade não passou a mão na cabeça do Sérgio, ele fez valer este título. Este trabalho é o Sérgio: as fraquezas são fruto de sua história educacional, mas as conquistas são dele”, frisou professor Cristiano Muniz. Como não poderia deixar de ser, a defesa da monografia foi um momento de grande emoção: Sérgio discursou durante 45 minutos e “quase todo mundo chorou”, segundo os presentes.
Dedicada “a todos os moradores de rua do DF e a todos os que me ajudaram direta e indiretamente”, a monografia resgata o caso de Sérgio e de outros dois amigos em situação de igual vulnerabilidade social – um que conseguiu a inclusão e não mora mais na rua; e outro que, a despeito da grande capacidade crítica e conhecimento, não consegue entrar na universidade e ainda mora ao lado do restaurante Piantella, na Asa Sul. Na monografia, Sérgio faz também uma contundente crítica à Universidade.
“Acredito que a universidade idealiza o estudante perfeito e se esquece da complexidade da existência humana, pois quando vem mendigo morador de rua para dentro da universidade, vem também com estes as doenças, os vícios, a falta de disciplina e, naturalmente, a dificuldade de se adequar à rigidez acadêmica. Sendo assim, é a academia que, em um primeiro momento, tem que se adequar para receber estes estudantes até que se adaptem à academia. Falo isto por experiência própria, pois tive muito dificuldade para me adequar aos horários, às regras acadêmicas escritas e não escritas, a exigência de produção e, principalmente, para me adequar à cultura acadêmica, ou seja, a maneira de se falar e de se comportar em grupo”, diz Sérgio em sua monografia.
O formando comentou com o reitor sobre o árduo esforço por ajustar-se e aprender a se limitar pelos parâmetros comportamentais que regem a vida na UnB: “Eu não tinha condições de estar dentro dessa sociedade; tive de aprender a falar, a esperar, a me vestir, a me adequar à Universidade”, disse. O professor Cristiano concordou: “De fato, a liberdade inerente às ruas é um grande obstáculo ao enquadramento destes alunos na academia”.
A SAGA - As dificuldades que sempre permearam a vida de Sérgio Reis Ferreira são mais aterradoras do que se poderia imaginar – e vão dos maus tratos e do abandono experimentados na primeira infância em Ipatinga, Minas Gerais, à vida errante de adolescente nos corredores da execrável Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) e nas sujas ruas do Rio de Janeiro, passando pelos anos de sobrevivência na Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília.
“Qual a perspectiva de quem mora na rua? De quem dorme ao relento, come as sobras dos restaurantes e consegue um trocado aqui e ali com esmola ou prestação de serviços? Como mudar a vida dessas pessoas? Sérgio Reis Ferreira, 29 anos, ex-morador de rua, descobriu um jeito de transformar seu destino. Resolveu estudar”, escreveu o recém-formado pedagogo em sua monografia. Em Brasília, acreditava que iria “encontrar com o presidente da República numa padaria e que ele resolveria os meus problemas”.
“Senti tudo na pele: frio; não fome, mas vontade de comer; e o fato de estar privado do mínimo necessário à vida em sociedade”, disse Sérgio, lembrando que, muitas vezes, guardava os livros sob um bueiro. “Eu me envergonhava de dizer aos colegas que meu material havia sido roído por ratos e baratas”, disse, reclamando que, “no Brasil, não há políticas públicas direcionadas a esta população de rua – não há bebedouros nem banheiros e as pessoas são obrigadas a buscar locais em que há água gratuitamente disponível”.
Mas o árduo caminho até a sala de aula não era feito apenas de percalços físicos – de longas caminhadas a pé, de banhos no Parque da Cidade e de roupas lavadas no Lago Paranoá: a “inclusão excludente” de Sérgio na Universidade o fazia sofrer intensamente, levando-o muitas vezes a abandonar o abrigo da instituição para sentir-se paradoxalmente acolhido pelas ruas. “Às vezes a discriminação doía, e eu chorava por saber que eu era o invasor”, revelou Sérgio.
Há quase três meses, uma fatalidade – em meio ao mar de outras adversidades – ameaçou impedir a formatura de Sérgio de forma radical: no dia 28 de agosto de 2012, ao tentar roubar do pedagogo uma quentinha, outro morador de rua o esfaqueou. A morte chegou perto, mas, como sempre, Sérgio sobreviveu. “Quanto à agressão física que quase me levou a óbito, eu somente aprendi uma dura lição: quando seres humanos ‘invisibilizados’ e silenciados pela sociedade - como os moradores de rua - lutam desesperadamente, eles utilizam até os meios mais vis e sorrateiros, no caso, a violência.”
No encontro com o reitor, Sérgio resumiu a surpreendente e notável trajetória com uma frase: “Eu não tinha mais nada em que me agarrar – só tinha a Universidade – e então me agarrei a ela com unhas e dentes”.
Textos: UnB Agência. Fotos: nome do fotógrafo/UnB Agência.