quarta-feira, 19 de março de 2014

A menina que fugiu do fogo


I
Era uma vez uma menina que nasceu há muito tempo, num vilarejo do interior do nordeste. Ela foi a primeira dos oito filhos da família. Eu disse OITO filhos, porque nordestino é bicho besta pra ter família grande. Pelo menos naquele tempo antigo era assim.
Acontece que quando ela tinha dois  irmãos e mais um na barriga da mãe que estava grávida pela quarta vez, e o pai tinha desabado para Brasília em busca de emprego para sustentar a família que estava crescendo, aconteceu um ocorrido que mudou a vida da família para sempre: a casa deles pegou fogo! Era mês de agosto, pensa num incêndio no nordeste, no mês de agosto! Rapaz, foi um rebuliço só! Tiveram que vir para Brasília, pois ficaram no olho da rua, só com a roupa do corpo.
Essa foi a sorte deles! Chegaram e foram direto para o Gama, onde o pai morava de aluguel num barraco. A menina logo começou a estudar, no que foi seguida pelos irmãos.
Tempos depois conseguiram um lote no Pedregal e construíram, aos poucos, como é de costume entre os pobres, uma casinha. Mudaram pra lá. Só havia uma escola onde ela fez a quarta série. Depois foi preciso ir para o Gama dar continuidade nos estudos.
Eita tempo difícil! Atravessaram muitos perrengues. Uma vez, a mãe teve que vender um botijão de gás para pagar a passagem dos filhos para a escola. E o tempo foi passando com muitas dificuldades...
A menina, que já era mocinha, terminou o segundo grau, fez o Magistério e começou a dar aulas no DF. As coisas começaram a melhorar! Os outros também estudavam; os pais continuavam analfabetos, pode-se dizer.
Um dia ela resolveu fazer faculdade, tenta aqui, ali, passou no vestibular da UnB. Nesse tempo as coisas já tinham melhorado um pouco. Ela se casou, morava no Pedregal, trabalhava no Gama e estudava na Asa Norte. Todo esse percurso era feito de ônibus!
Depois da faculdade, quando já tinha filhos, decidiu fazer mestrado. Era danada, essa mulher! E foi o que fez, também na UnB. Depois fez doutorado, para o orgulho de toda a família. Hoje ela é professora, há 28 anos; vive muito melhor dos que nos tempos passados. Já escreveu um livro, teve filhos e plantou árvores, mas ainda não quer morrer.
Sabe quem é a menina que fugiu do fogo? Como diria Roberto Carlos, essa menina sou eu!

Rosário Ribeiro Alves – Gama, 19/03/2014

terça-feira, 20 de agosto de 2013

REDAÇÃO PREPARATÓRIA PARA O ENEM 2013

Oficina de redação desenvolvida pelo Projeto FORMANCIPA, em parceria com o SERPAJUS, por Rosário Ribeiro e Zenon.
Visite e conheça melhor nossas propostas de trabalho: http://serpajus.blogspot.com.br/



Tema: Cidadania e participação social
O poder dos jovens na participação social
Em junho de 2013, quando estava acontecendo a Copa das Confederações, tivemos um exemplo de participação social de jovens iniciada nas grandes capitais do país. A primeira motivação foi o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo, iniciando-se, assim, uma mobilização nacional nas redes sociais cujo lema foi “vem para a rua”. Mas será que sempre foi assim? Elas trouxeram transformações para a sociedade? Quais foram os seus benefícios e malefícios?
Para a sociedade brasileira as manifestações foram uma surpresa, pois, desde “os caras pintadas”, não havia uma mobilização popular em grande escala. Além da questão do transporte, outra insatisfação popular que gerou toda essa movimentação foi os gastos públicos para atender aos padrões exigidos pela FIFA, em detrimento ao atendimento das necessidades do povo. A partir disso, as reivindicações foram ampliadas para a saúde, a educação, a segurança e a reforma política para combater a corrupção, entre outras. Essa grande movimentação popular trouxe consigo dizeres adormecidos e reinventados: “o gigante acordou”, “verás que um filho teu não foge à luta”, “geração vinagre”, “não tem cura porque não sou doente”. Esses “slogans” serviram para demonstrar a criatividade, a capacidade crítica e o bom humor do brasileiro.
Pelo exposto, percebemos que não se pode fechar os olhos para os problemas da sociedade e nem desprezar o poder dos jovens, pois quando têm interesse e motivação podem fazer mudanças sociais. Dessa forma, são verdadeiros cidadãos que conhecem seus direitos e participam das transformações sociais, que já começaram a acontecer, como a aprovação do “programa mais médicos”, da redução das tarifas dos transportes públicos, revogação do “projeto de cura gay” e da PEC 37. Não podemos esquecer que além dos ganhos, tivemos também prejuízos ao patrimônio público pelos vândalos e aos direitos humanos, que, em alguns casos, foram violados pela repressão policial. (Turma do matutino)

Tema: Cidadania e participação social
O Cidadão em Ação

Não é de hoje que o Brasil é palco de manifestações para se obter mudanças sociais. Com o fortalecimento da democracia, aconteceram, por exemplo, movimentos importantes como as “Diretas já” e os “Caras pintadas”. Recentemente, as ondas de manifestações voltaram à cena com a mobilização dos jovens nas redes sociais, cujo estopim foi o aumento das tarifas do transporte público e o Movimento Passe Livre em São Paulo.
A expressão “o gigante acordou”, utilizada nas redes sociais, demonstrou que não só em São Paulo, mas em todo o Brasil, as pessoas foram às ruas em busca de mudanças, tais como: saúde, educação, transporte público e segurança. Além disso, os protestos foram contra a má utilização do dinheiro público e os altos custos na construção dos estádios para as copas.
É importante dizer que, a partir disso, não apenas os jovens, mas pessoas de todas as idades e classes sociais se uniram pelas mesmas causas, de forma apartidária. Essa união demonstra que os brasileiros tomaram maior consciência do poder de transformação que eles têm.
Contudo, uma minoria conseguiu atrair a atenção dos grandes grupos midiáticos com o seu vandalismo. Isso ressaltou o despreparo das forças policiais, que reprimiram com violência excessiva os manifestantes, muitos deles inocentes.
As manifestações surtiram efeitos positivos: redução da tarifa do transporte público, baixa da inflação, implantação do Programa Mais Médicos, redistribuição dos royalties do pré-sal, arquivamento da PEC 37 e início da discussão da reforma política. Tudo isso comprova que os jovens surpreenderam, fazendo valer seus direitos, saindo do comodismo, demonstrando vontade e interesse em protagonizar as mudanças necessárias.  (Turma do vespertino)