terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

MINHA HISTÓRIA NA EJA


Numa manhã de sábado de 1989, fomos - eu e alguns companheiros do Pedregal/GO - a um encontro de formação no Gama/DF, promovido pelo Serviço de Paz e Justiça. Nessa época eu já era professora da SEEDF e aluna de Letras na UnB. Lá chegando, conhecemos uma jovem senhora, de olhar vivo e inquiridor, inquieta e questionadora, falando sobre a pedagogia de Paulo Freire. Nesse dia começamos a ouvir, ler e debater sua filosofia. A partir de então, apaixonei-me irremediavelmente por aquele homem meigo, barbas perfumadas e macias, mas ao mesmo tempo firme na defesa incansável de suas idéias sobre a educação que liberta. Essa mulher era a professora Maria Luiza Pereira, a quem quero agradecer publicamente por ter me guiado nos primeiros passos rumo à alfabetização de jovens e adultos com o método Paulo Freire. Agradeço também a todos os companheiros do Pedregal: Luiz, Tone, Erlando, Márcia, Dedé, Da Guia, Cláudia, entre outros. Agradeço também ao Francisco Gois, ao Perci, que nos deram todo o apoio possível no Decanato de Extensão da UnB, no Novo Gama. Porque, se hoje estou aqui, lançando um livro para a EJA, eles todos contribuíram direta ou indiretamente para isso.
 Bem, 14 anos depois daquela manhã de sábado, voltei à UnB para fazer Mestrado em Educação e (vejam a minha surpresa!) ao iniciar as leituras do curso comecei a perceber que muitas das ideias da Sociolinguística eu já conhecia, só que lendo os livros do Freire. Percebi, então que ele era, de certa forma, sociolinguista e os sociolinguistas eram freireanos, mesmo sem o saberem. Então, este livro que lançamos hoje tentou unir os dois. Não sei se fui feliz nesta idéia. Penso que os leitores poderão avaliar melhor e fazer suas considerações. Finalmente, quero fazer um agradecimento especial à professora Stella Maris Bortoni-Ricardo que tornou possível, para mim, a educação como prática da liberdade, ao acreditar que eu seria capaz de, a partir da experiência e do estudo, produzir um livro. Muito obrigada! E agora vamos ao livro.

(Texto para o lançamento, na UnB, do livro Educação de Jovens e Adultos, Editora Parábola, 2008.)

Maria do Rosário do N. R. Alves -24/06-2008, Auditório Dois Candangos,FE/UnB

quinta-feira, 23 de junho de 2016

CONVITE


DENÚNCIA

O ribeirão Santa Maria/DF corre risco de morrer!

Destruição do Ribeirão Santa Maria em razão da construção do Residencial Nascente Ribeirão afetará o abastecimento de água e agravará ainda mais a qualidade de vida das populações de Santa Maria, Novo Gama e Valparaíso de Goiás.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Apoio dos Movimentos Sociais/Populares e Grupos afins à greve dos professores e professoras do DF

MOÇÃO DE APOIO

As organizações e entidades do movimento popular abaixo assinadas vêm a público manifestar total apoio e solidariedade aos/às professores/professoras da Secretaria de Educação do Distrito Federal que estão em greve desde o dia 15 de outubro último.
Consideramos inadmissível a postura do Governo do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, que, ao ignorar o diálogo com os/as professores/professoras em greve, só posterga o fim do movimento e coloca em risco a tranquilidade do encerramento do ano letivo escolar de 2015. Ainda mais inaceitável é a truculenta e violenta ação deste governo, por meio da Polícia Militar, em agressões e prisões de professores e professoras no exercício do seu livre direito à manifestação. 
É sabido que desde o início do ano os/as professores/professoras vêm sofrendo com as precárias condições de trabalho, com as indefinições pedagógicas, com a falta de repasses dos recursos nas escolas e as irregularidades nos pagamentos.
Sob o pretexto da falta de recursos para pagar a última parcela do reajuste escalonado do salário dos profissionais e do suposto rombo financeiro deixado pelo governo anterior, o governador recusa-se a honrar os compromissos assumidos com os docentes pelo Governo do Distrito Federal. Vale lembrar que, apesar do questionamento pelo Ministério Público do DF junto ao Tribunal de Justiça sobre a legalidade do citado reajuste, aquela Corte, por 17 X 0, julgou que não há ilegalidade nenhuma no plano de cargos e salários dos professores e, portanto, cabe ao GDF cumprir a lei.
Ainda sobre a alardeada crise financeira do GDF, em entrevista ao jornal "Metro", questionado sobre a análise das contas do GDF, o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais do DF afirmou que mesmo a categoria que representa - profissionais formados para analisar contas públicas - estava incapacitada de fazê-lo devido à falta de transparência da gestão Rollemberg na publicização da contabilidade governamental. Desta forma, o clima de terror criado pelo GDF levanos que a crer que não passa de um artifício para atacar os direitos trabalhistas dos professores e precarizar a educação pública do DF prejudicando, dessa forma, docentes e estudantes abrindo caminho para a terceirização da educação.
Como se não bastasse, ainda há ameaças de retrocessos na oferta da educação para o ano de 2016 como o fim da jornada ampliada; o aumento de estudantes por turma; as indefinições sobre atendimento em salas de recurso, estimulação precoce; a não construção de salas de aula e de escolas para atendimento ao crescente número de matrículas; o fechamento de turmas e de escolas que ofertam Educação de Jovens e Adultos.
Defendemos a educação como direito inalienável da pessoa humana, sobretudo da classe trabalhadora, principal público da escola pública. Repudiamos toda e qualquer ação que venha representar um retrocesso à educação pública no Distrito Federal, conquistada com a luta dos trabalhadores e das trabalhadoras.
Para Paulo Freire a Educação sozinha não transforma a sociedade e sem ela tampouco a sociedade muda e assim, concordantes, reafirmamos nosso compromisso e apoio à causa da educação pública, pois a nossa luta é por uma sociedade educadora, justa, democrática e igualitária. Por fim, estamos juntos à luta dos professores e professoras. Esta luta perpassa pela valorização e respeito à educação pública e conclamamos a toda sociedade do Distrito Federal que se unam a esta causa.

Que nenhum direito da classe trabalhadora seja usurpado!
Distrito Federal, 30 de outubro de 2015.
Assinam,
§Centro de Cultura e Desenvolvimento do Paranoá e Itapoã - CEDEP
§Central de Movimentos Populares - CMP
§Banco Comunitário do Itapoã
§Centro de Educação Paulo Freire de Ceilândia
§GTPA – Fórum de Educação de Jovens e Adultos do DF
§Serviço de Paz, Justiça e Não-Violência - SERPAJUS
§Grupo de Estudos e Pesquisa em Materialismo Histórico-Dialético e Educação - CONSCIÊNCIA - FE/UnB
§FORMANCIPA - Formação Integrada e Emancipadora de Acesso à Educação Superior
§Centro de Memória Viva - Documentação e Referência em Educação Popular, Educação de Jovens e Adultos e Movimentos Sociais do DF - CMV/DF
§Pós-Populares - Democratização do Acesso à Universidade Pública pelo Chão da Pesquisa (FE/UnB)
§Grupo de Ensino Pesquisa e Extensão em Educação Popular e Estudos Históricos, Filosóficos e Culturais - GENPEX
§ASKAP - Associação dos Skatistas do Paranoá e Itapoã
§Centro de Educação, Pesquisa, Alfabetização e Cultura de Sobradinho – CEPACS
§Casa de Paulo Freire de São Sebastião
§Grupo AruandaÊ Capoeira do Paranoá
§ Movimento por uma Ceilândia Melhor – MOPOCEM
§Centro de Alfabetização do Recanto das Emas - CAREMAS
§Associação Cultural Encantos de Itapoã e Paranoá - ACEIP
§Associação Comunitária da Expansão do Setor O - ACESO
§ Movimento de Educação e Cultura da Estrutural - MECE
§Banco Comunitário Estrutural
§Editora Abadia Catadora
§Ponto de Memória da Estrutural

domingo, 11 de janeiro de 2015

Je ne suis pas Charlie - Leonardo Boff

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

RESENHA

Por uma pedagogia da comunicação

Maria do Rosário do N. R. Alves (SEE/DF)

Pedagogia do silenciamento: a escola brasileira e o ensino de língua materna, obra de Celso Ferrarezi Jr. é resultado da longa experiência do autor na formação de professores de língua materna em cursos de Letras e de sua experiência em salas de aula da Educação Básica - da alfabetização ao Ensino Médio -, com povos indígenas, com seringueiros e ribeirinhos, em escolas urbanas e no sistema federal de universidades.
Celso Ferrarezi Jr. é licenciado em Letras Português/Inglês pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), mestre em Linguística (Semântica) pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), doutor em Linguística (Semântica) pela UNIR e pós-doutor também com especialidade em Semântica, pela UNICAMP. Atualmente é professor associado da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL). Na Amazônia, fez carreira como professor a partir dos 16 anos, quando terminou o curso de magistério. 
O livro foi organizado em quatro capítulos além da introdução e da conclusão. A introdução nos apresenta um breve histórico do silenciamento na educação e discorre sobre o tipo de silêncio ao qual se refere: o silêncio que vai além do silêncio da boca, mas que afeta a pessoa no falar, no expressar ideias, na criticidade, no posicionamento diante dos fatos da vida, na autonomia, na leitura e na escrita. Para ele, é um silêncio múltiplo, escolasticamente desenvolvido, academicamente ensinado, e que deixa cicatrizes profundas nas vidas dos alunos. O autor posiciona-se contra os silêncios impostos nas escolas silenciosas, em que os professores estão preocupados em ensinar “as artes do silêncio”.
Ainda na introdução, o autor apresenta-nos a ideia de que a escola brasileira atua na contramão do barulho próprio da vida: o barulho da voz do criador, na criação e, da explosão cósmica, na evolução. Na escola, aprende-se a ter medo do barulho, que é considerado como um pecado que corrompe as hierarquias e sinaliza em direção a um anarquismo incômodo. Para ele, o barulho deve ser considerado de maneira diferente:como expressão da vida, do movimento e da vibração. Trata-se de ir contra o silêncio escolarizado, produzido em um círculo vicioso: os professores foram formados na 
pedagogia do silêncio e a reproduzem em suas salas de aula. Há uma conclamação a uma boa e barulhenta escola, onde borbulhem os pensamentos inquietos e cheios de vida.
O capítulo 1, intitulado “O silêncio dos pecadores”, traça um caminho que passa pela formação de uma pedagogia do silêncio, pelos currículos silenciosos e pela prática do silêncio nas aulas de língua materna. Esse caminho inicia-se com a história das primeiras escolas, cerca de mil anos antes de Cristo, cujo objetivo era a conversão religiosa; aborda as instituições orientais no período pré-cristão e a educação grega, iniciada pelos filósofos. Ele pontua o início do silêncio na escola ocidental, cuja origem remonta aos católicos romanos da patrística, fundadores dos mosteiros e da implantação do silêncio como virtude, situação que foi modificada com o Renascimento. No entanto, o autor afirma que as construções iluminadoras dos renascentistas não chegaram à escola brasileira, e que o silêncio continua sendo a prática nacional preponderante.
Quanto aos currículos silenciosos, para Celso Ferrarezi, os currículos adotados nas escolas ainda consideram o silêncio e o ensino de regras como as principais orientações a serem seguidas. Para chegar a esse ponto de vista, ele apresenta a análise de currículos de língua portuguesa de sete escolas dos anos iniciais em diferentes estados do Brasil. Sua pesquisa comprova que eles são “descabidamente” extensos para cada série e que o ensino de língua materna ainda é pautado pelo ensino da gramática normativa. Levanta, ainda, a discussão sobre a inutilidade da escola e a necessidade de revisão dos currículos, para mudar essa situação.
Sobre o silêncio, como prática nas aulas de língua materna, o que se discute é a prática da palavra irresponsável, a prática da não utilização da inteligência e a prática do “você não me interessa”. Nesse tópico, o autor é enfático ao afirmar que os alunos só têm a palavra para responder a perguntas inúteis do tipo “O que é um adverbio?”, que têm vergonha de errar e que, dessa forma, a escola silencia as consciências, não permitindo aos alunos pensarem, oferecendo exercícios mecânicos e repetitivos. Tudo isso sinaliza, para o aluno, que por ele não se interessam, que sua história, seus valores, seus interesses não são importantes: o que importa é o conteúdo vazio de significados.
No capítulo 2, “Uma tentativa de mudança”, apresenta-se um histórico da construção dos currículos escolares, definindo-se as competências de cada instância nos níveis federal, estadual e municipal, em relação à sua elaboração, discussão e distribuição. O autor discute a filosofia dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e esclarece que,do seu ponto de vista, eles foram uma revolução curricular que não chegou ainda à prática dos professores. São ressaltados o novo foco para o ensino de língua materna e a competência técnica com que os PCN foram construídos. 
Sobre a ausência dos PCN na prática dos professores, são abordados os percalços em sua implantação, que passam pela não compreensão de seu conteúdo. Nesse tópico do capítulo, também há uma análise do Decreto Presidencial n° 6094-24/04/2007, em que se estabeleceram as metas para a educação brasileira. Aqui, Ferrarezi refere-se à necessidade de envolvimento de todos os professores na discussão e elaboração do Projeto Político Pedagógico (PPP) das escolas, momento em que se deveria contemplar o currículo, considerando-se as especificidades de cada escola, e define as habilidades essenciais pelo ensino de língua materna nos anos iniciais do Ensino Fundamental. 
O capítulo 3, “As quatro habilidades básicas da comunicação na sala de aula”, foca, como o próprio título enuncia, as habilidades que são consideradas fundamentais para a formação do homo communicans: ler, escrever, falar, ouvir. O ouvir é considerado como uma capacidade muito mais ampla do que o simples escutar. O autor lista as habilidades que compreendem o ouvir e faz considerações sobre sua complexidade, ressaltando a demanda de tempo para seu desenvolvimento. O falar nos é apresentado como uma habilidade valorizada por todos os povos antigos e modernos e que determina poder nas sociedades. Nesse aspecto, Ferrarezi aponta a escola como agente propiciador da fala em oposição ao silêncio, mas, sobretudo, em oposição ao vazio construtivo de si mesmo e da sociedade. 
A leitura, nesse capítulo, é analisada, inicialmente como uma atividade que parece sempre sem sentido para os alunos. Quais seriam as causas dessa situação? É o que o autor responde, nesse tópico, além de elencar as habilidades de leitura que devem ser valorizadas pela escola e destacá-la como o mais eficiente meio de se romper o silêncio da mente. O escrever é apresentado como uma tecnologia que nossas escolas também não conseguem ensinar, a começar pela desconsideração das múltiplas formas de escrita alimentadas em Por uma pedagogia da comunicação nossa sociedade. São ressaltadas as habilidades de escrita que se deve desenvolver na escola e a necessidade de se eliminar as “gramatiquices” inúteis e improdutivas das aulas de língua materna, sobretudo nos anos iniciais.
“A urgência da mudança” é o título do quarto capítulo do livro, que aborda as mazelas de um ensino de língua materna que não é como deveria ser, e o reflexo disso na vida dos alunos. Aqui, o autor é bastante radical ao considerar que todas as epidemias que assolam nosso país são decorrentes da maior epidemia: a falta de educação para todos. Ele ratifica a questão da educação como urgente porque, segundo ele, já comprometeu o desenvolvimento do Brasil e comprometerá o futuro, caso não sejam tomadas as medidas necessárias para uma boa educação em todos os níveis.
Ferrarezi, nesse capítulo, polemiza ao afirmar com todas as letras que o ensino de língua materna deve ser o centro da educação nas séries iniciais, o trabalho mais importante que a escola deve fazer, em detrimento das outras disciplinas e explica o porquê dessa escolha. Para embasar sua categórica afirmação, ele apresenta e analisa vários textos produzidos por alunos entre o 1° e o 7° anos do Ensino Fundamental e corrobora sua afirmação de que esses trabalhos são cicatrizes do silenciamento promovido nas salas de aulas, conclamando as escolas brasileiras para se transformarem em agências de transformação de vidas, contra a repetição de conteúdos antigos, quinquilharias do saber.
Ao concluir o livro, o autor contrapõe à pedagogia do silenciamento a pedagogia da comunicação, para mudar o estado atual de silenciamento humano que alcançou um nível insuportável em nossas escolas. Ele propõe aos professores, com essa finalidade, cinco ideias a serem desenvolvidas em sala de aula, pois é hora de não só falar, mas agir.
Como o próprio autor afirma na introdução, esse livro, “embora mais especificamente voltado para professores de língua materna, será útil para qualquer pessoa que se preocupe com a educação brasileira, uma vez que discute os motivos, as consequências e as possibilidades de mudança de uma pedagogia do silenciamento para uma pedagogia barulhenta e libertadora” (p. 15). Eu o recomendo principalmente para os que estão ingressando na carreira do magistério e que têm a chance de mudar os caminhos da educação neste país. Apesar de, em alguns momentos, o autor ser um tanto panfletário, os temas tratados são relevantes para a formação e a reflexão de professores sobre o trabalho pedagógico desenvolvido em nossas salas de aula e que tem contribuído, sim, para a formação de uma juventude silenciosa.

FERRAREZI JR., CELSO. Pedagogia 
do Silenciamento. Parábola Editora, 
São Paulo. 120p, 2014Por uma pedagogia da comunicação
Volume 6 – Números 1/2 – Ano VI – dez/2013

(Revista de Letras da Universidade Católica de Brasília - http://portalrevistas.ucb.br/index.php/RL/article/view/5386/340)


domingo, 19 de outubro de 2014

Dilma X Aécio: algumas comparações


(Aécio e Dilma no debate do SBT, no último dia 17. Foto: divulgação)
(Aécio e Dilma no debate do SBT, no último dia 17. Foto: divulgação)
Dilma Rousseff e Aécio Neves nasceram em Belo Horizonte, Minas Gerais. Dilmaem 1947. Aécio em 1960.
O pai de Dilma era um imigrante búlgaro, Pedro Rousseff, advogado e empresário. Aécio vem de uma família de políticos. Seu avô materno era Tancredo Neves, que foi ministro da Justiça de Getúlio Vargas, governador de Minas Gerais e primeiro presidente civil eleito, ainda no colégio eleitoral, pelo MDB. O pai de Aécio, Aécio Cunha, foi deputado federal pela Arena, partido que apoiava a ditadura militar.
A jovem Dilma lutou como guerrilheira contra a ditadura militar, foi presa e barbaramente torturada. Aécio era criança no período.
Dilma e Aécio se formaram em economia. Dilma pela UFRGS e Aécio pela PUC-MG.
O primeiro emprego de Dilma foi aos 28 anos, como funcionária da FEE (Fundação de Economia e Estatística), de onde seria demitida pela ditadura. Torna-se assessora da bancada do PDT, partido no qual militava junto com o então marido, Carlos Araújo. Em 1986, é indicada secretária municipal da Fazenda do prefeito Alceu Collares, de cuja campanha participara ativamente. Em 1989, indicada pelo PDT, torna-se diretora-geral da Câmara de Vereadores. Retorna à FEE em 1991 como sua presidente, nomeada por Collares, agora governador do Rio Grande do Sul. Em 1993, torna-se Secretária de Minas, Energia e Comunicações do governo gaúcho. Em 1999, indicada pelo PDT, é nomeada Secretária das Minas e Energia do governo Olívio Dutra. Em 2001, Dilma filia-se ao PT e em 2002 integra a equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. É indicada por Lula ministra das Minas e Energia e, em 2005, para a Casa Civil. Lula a lança candidata a presidente da República e, em 2010, ela é eleita.
Aos 17 anos, enquanto estudava no Rio, Aécio foi nomeado para seu primeiro emprego: oficial de gabinete do Cade, orgão do ministério da Justiça, com sede na capital federal. Aos 19 anos, ainda estudando e morando no Rio, se tornou assessor do gabinete do próprio pai, deputado federal, em Brasília. Em 1983, se torna secretário particular do avô, o governador Tancredo Neves. Ao se eleger presidente, Tancredo indicou o neto como secretário de Assuntos Especiais da Presidência só em 1990 a prática de manter parentes sob a chefia imediata foi proibida. Após a morte de Tancredo, recém-formado em Economia, aos 25 anos, Aécio é nomeado diretor de loterias da Caixa Econômica pelo presidente José Sarney e por seu primo, o ministro da Fazenda Francisco Dornelles. Em 1986, é eleito deputado federal e reeleito em 1990, 1994 e 1998. Em 2002 foi eleito governador de Minas e em 2006, reeleito.
Dilma é odiada pelos militares que participaram ou aprovam a ditadura. Aéciorecebeu o apoio deles.
Dilma chama o golpe militar de “golpe”. Aécio chama o golpe de “revolução”.
O padrinho político de Dilma é o ex-presidente Lula, do PT, cujo governo foi marcado pelo crescimento, pela valorização das empresas e bancos públicos, pela diminuição da desigualdade e da pobreza, pelo salário mínimo em alta, pelo fim da dívida externa, pelo respeito à soberania nacional, pelo baixo desemprego, pela valorização do ensino superior, pela abertura de novas universidades e pela política externa voltada para a América do Sul, para os países emergentes e para a África.
O padrinho político de Aécio (além de seu avô Tancredo) é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, cujo governo foi marcado pelas privatizações de empresas públicas, pela recessão, pelo desemprego, pela desigualdade, pela fome no Nordeste, pelo salário mínimo em queda, pela dependência do FMI (Fundo Monetário Internacional), pelo sucateamento do ensino superior e pela política externa de subserviência aos Estados Unidos.
Entre os artistas que apoiam Dilma, estão Chico Buarque, Luis Fernando Verissimo e Gilberto Gil. Aécio tem o apoio de Chitãozinho & Xororó, Dado Dolabella e Luciano Huck.
Dilma recebeu o apoio do deputado federal e militante da causa LGBT Jean WyllysAécio tem o apoio dos homofóbicos Marco Feliciano, Pastor Malafaia e Bolsonaro.
No primeiro turno, Dilma teve mais votos entre os mais pobres e negros. Aécioteve mais votos entre os mais ricos e brancos.
Quando Dilma sobe nas pesquisas, os especuladores não gostam e a bolsa cai. Quando Aécio sobe nas pesquisas, os especuladores comemoram e a bolsa sobe.
Dilma é rejeitada pelas multinacionais do petróleo. A possibilidade de Aécio ser eleito já virou motivo de comemoração para as multinacionais do petróleo.
Machistas odeiam Dilma. Machistas adoram Aécio e enumeram suas façanhas amorosas.
Dilma é contra a redução da maioridade penal. Aécio é a favor.
Dilma sofreu oposição ferrenha da imprensa durante a maior parte do seu governo, mas nunca censurou nem perseguiu ninguém, embora o PT seja acusado seguidas vezes pela mesma imprensa de “atentar” contra a liberdade de expressão.
Aécio foi blindado pela imprensa local e nacional durante toda a sua carreira política, mas é acusado de censurar e perseguir jornalistas.
Nos governos do partido de Dilma, o PT, todas as denúncias foram investigadas, permitindo que membros de seu partido fossem punidos. Nos governos do partido de Aécio, o PSDB, todas as denúncias foram engavetadas e ninguém jamais foi punido.
Dilma é a favor das cotas por raça e renda. O vice de Aécio, Aloysio Nunes (PSDB), foi o único senador brasileiro que votou contra as cotas.
O projeto econômico de Dilma é conhecido e prioriza a justiça social. O projeto econômico de Aécio é obscuro e prioriza o sistema financeiro.
Existem diferenças fundamentais entre Dilma e Aécio. É preciso ter olhos para ver
Publicado em 18 de outubro de 2014 - cartacapital.com.br/dilma-x-aecio-algumas-comparacoes/

domingo, 8 de junho de 2014

Sustentabilidade


Opinião - http://www.cartacapital.com.br/sustentabilidade/a-negacao-do-meio-ambiente-9277.html

A negação do meio ambiente

No dia do meio ambiente, devemos questionar a crença de que a ciência e a tecnologia são capazes de resolver qualquer problema ambiental. Por Dal Marcondes

por Dal Marcondes, da Envolverde — publicado 05/06/2014 12:43
Prakash Mathema / AFP
Dia do meio ambiente
Crianças nepalesas participam de evento na vila de Gokarna, nas cercanias de Kathmandu, capital do Nepal, em comemoração ao dia do meio ambiente, nesta quinta-feira 5
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O século 20 conseguiu consolidar o apartheid entre a humanidade e as dinâmicas próprias dos ecossistemas e da biosfera. Até o final do século 19, quando nasceu meu avô, a vida na terra, em qualquer que fosse o país, tinha estreitos laços com os produtos e serviços da natureza. O homem dependia de animais para a maior parte do trabalho, para locomoção e mal começava a dominar máquinas capazes de produzir força ou velocidade. Na maioria das casas o clima era regulado ao abrir e fechar as janelas e, quando muito, acender lareiras, onde madeira era queimada para produzir calor.
Cem anos depois a vida é completamente dominada pela tecnologia, pela mecânica, pela química e pela eletrônica, além de todas as outras ciências que tiveram um exponencial salto desde o final do século 19. Na maior parte dos escritórios das empresas que dominam a economia global a temperatura é mantida estável por equipamentos de ar condicionado, as comunicações são feitas através de telefones sem fio e satélites posicionados a milhares de quilômetros em órbita, as dores de cabeça são tratadas com comprimidos e as comidas vêm em embalagens com códigos de barra.

Não se trata aqui de fazer uma negação dos benefícios do progresso científico, que claramente ajudou a melhorar a qualidade de vida de bilhões de pessoas, e também deixou à margem outros bilhões, mas de fazer uma reflexão sobre o quanto de tecnologia é realmente necessário e o que se pode e o que não se pode resolver a partir da engenharia. As distâncias foram encurtadas e hoje é possível ir a qualquer parte do mundo em questão de horas, e isso é fantástico. No entanto, nas cidades, as distâncias não se medem mais em quilômetros, mas sim em horas de trânsito. E isso se mostra um entrave para a qualidade de vida.

Computadores, internet e telecomunicações tornaram o mundo menor e abriram as portas de um universo de conhecimento inimaginável poucos anos atrás. Ainda na década de 1990 fiz uma entrevista com o pensador norte-americano Alvin Toffler , autor de A Estrada do Futuro e perguntei porque o futuro que se desenhava era tão diferente do que havia sido previsto poucos anos atrás, da década de 1970. “Simples”, respondeu ele. “Ninguém foi capaz de prever que os computadores se tornariam eletrodomésticos, e mais ainda, que eles seriam ligados em rede possibilitando comunicação universal entre pessoas e bancos de dados”, concluiu. Ou seja, a web, a internet como conhecemos hoje, 20 anos depois daquela entrevista, não foi uma evolução previsível.

Romantismo pragmático

Há um certo romantismo em pensar na vida em comunhão com a natureza, onde as pessoas dedicam algum tempo para o contato com plantas, animais e ambientes naturais. Eu pessoalmente gosto e faço caminhadas regulares em praias e trilhas. Mas não é disso que se trata quando falo na ruptura entre a engenharia humana e as dinâmicas naturais. Há uma crença que está se generalizando de que a ciência, a engenharia e a tecnologia são capazes de resolver qualquer problema ambiental que surja. E esse é um engano que pode ser, em muitos casos, crítico para a manutenção do atual modelo econômico e cultural das economias centrais e, principalmente, dos países que agora consideramos “emergentes”.

Alguns exemplos de que choques entre a dinâmica natural e o engenho humano estão deixando fraturas expostas. A região metropolitana de São Paulo está enfrentando uma das maiores crises de abastecimento de água de sua história. As nascentes e áreas de preservação que deveriam proteger a água da cidade foram desmatadas e ocupadas, no entanto a mídia e as autoridades em geral apontam a necessidade de mais obras de infraestrutura para garantir o abastecimento, como se a produção de água pelo ecossistema não tivesse nenhum papel a desempenhar.

No caso da energia também existe uma demanda incessante por mais eletricidade, mais combustíveis e mais consumo. Isso exige o aumento incessante da exploração de recursos naturais e não renováveis. Pouco ou nada se fala na elaboração de programas generalizados de eficiência energética, de modo a economizar energia sem comprometer a qualidade de vida nas cidades.

Outro ponto de descolamento é a gestão de resíduos. Grande parte dos ambientes naturais está contaminada por plásticos e outros resíduos produzidos pelo descarte de produtos usados e embalagens. A gestão de resíduos tem sido encarada como um problema de engenharia, fala-se muito em aterros sanitários e em “queima energética” dos resíduos, o que levaria a agravar outro problema presente na agenda ambiental do século 21, as mudanças climáticas, causadas principalmente pelas emissões de gás carbônico das atividades humanas. Pouco ainda se faz em direção a uma eficaz redução da geração de resíduos ou da utilização maior de materiais reciclados e/ou biodegradáveis.

Serviços Ambientais

Há também o desmatamento em todos os biomas brasileiros e ao redor do mundo. Monitora-se muito os dados sobre a Amazônia, mas há problemas sérios na Mata Atlântica, cujos dados recentes mostram aumento da área desmatada, no Cerrado, onde estão as nascentes de alguns dos grandes rios brasileiros, e até na Caatinga, que sofre periodicamente com longos períodos de estiagem.

Todos esses dilemas, porém, parecem alheios ao cotidiano das grandes cidades, onde o trânsito e o tempo (medido em horas) ocupam os espaços de preocupação. Não há no imaginário de pessoas que vivem em ambientes artificiais de edifícios, automóveis e espaços urbanos degradados uma clara noção dos vínculos existentes entre suas vidas e os serviços ambientais prestados pelos ecossistemas.

A desconexão vai além da simples percepção, nas cidades as pessoas se recusam a mudar comportamentos negligentes como o descarte inadequado de resíduos ou desperdícios de água e energia. Há muito a mudar. Pessoas, empresas, governos e organizações sociais são os principais atores de transformação, mudanças desejáveis e possíveis, mas que precisam de uma reflexão de cada um sobre o papel do meio ambiente na vida moderna.

É um equívoco pensar que civilização e meio ambiente são departamentos estanques. O moderno modo de vida das sociedades de consumo depende  da resiliência dos ecossistemas em oferecer água, alimentos e todo o tipo de produtos minerais e vegetais necessários para a manutenção da sociedade do século 21.

A profunda descrença na capacidade humana em mudar é, na verdade, uma atitude inconsequente de uma geração acomodada no individualismo e no consumismo, onde as relações sociais se dão mais em redes cibernéticas do que no bom e velho calor humano. As sociedades humanas vivem em constante mutação, como mostra a história. Negar a possibilidade de que o futuro seja um bom lugar para se viver é violentar os direitos de nossos filhos e netos de ter uma existência digna.
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Eu sou adepto da crença que a ciência e a tecnologia são capazes de resolver qualquer problema ambiental.

Será por meio da ciência e da tecnologia que encontraremos recursos renováveis, e obtenção de formas sustentáveis de produção de bens, de alimentos, e geração de energia.
O problema ocorre quando a ciência e a tecnologia estão subordinadas a uma lógica social voltada exclusivamente para a acumulação e geração de lucro, e que para isso nos afasta da natureza, e incentiva o consumo e o descarte desenfreado.
Uma lógica que carrega dentro de si a contradição de que, se por um lado possibilitou o próprio avanço da ciência por meio de sua necessidade de constante inovação, por outro gera mecanismos e reservas de mercado que conduzem a ciência apenas pela via do retorno financeiro (mais imediato possível, de preferência), e nunca pela via do bem estar social e da preservação da diversidade animal e vegetal.
E se essa lógica não mudar, continuaremos vendo criar-se o problema para venderem a solução, até a completa inviabilização da vida nesse planeta. 
Programas como esses de geoengenharia do clima estão aí para servir de exemplo...

quarta-feira, 19 de março de 2014

A menina que fugiu do fogo


I
Era uma vez uma menina que nasceu há muito tempo, num vilarejo do interior do nordeste. Ela foi a primeira dos oito filhos da família. Eu disse OITO filhos, porque nordestino é bicho besta pra ter família grande. Pelo menos naquele tempo antigo era assim.
Acontece que quando ela tinha dois  irmãos e mais um na barriga da mãe que estava grávida pela quarta vez, e o pai tinha desabado para Brasília em busca de emprego para sustentar a família que estava crescendo, aconteceu um ocorrido que mudou a vida da família para sempre: a casa deles pegou fogo! Era mês de agosto, pensa num incêndio no nordeste, no mês de agosto! Rapaz, foi um rebuliço só! Tiveram que vir para Brasília, pois ficaram no olho da rua, só com a roupa do corpo.
Essa foi a sorte deles! Chegaram e foram direto para o Gama, onde o pai morava de aluguel num barraco. A menina logo começou a estudar, no que foi seguida pelos irmãos.
Tempos depois conseguiram um lote no Pedregal e construíram, aos poucos, como é de costume entre os pobres, uma casinha. Mudaram pra lá. Só havia uma escola onde ela fez a quarta série. Depois foi preciso ir para o Gama dar continuidade nos estudos.
Eita tempo difícil! Atravessaram muitos perrengues. Uma vez, a mãe teve que vender um botijão de gás para pagar a passagem dos filhos para a escola. E o tempo foi passando com muitas dificuldades...
A menina, que já era mocinha, terminou o segundo grau, fez o Magistério e começou a dar aulas no DF. As coisas começaram a melhorar! Os outros também estudavam; os pais continuavam analfabetos, pode-se dizer.
Um dia ela resolveu fazer faculdade, tenta aqui, ali, passou no vestibular da UnB. Nesse tempo as coisas já tinham melhorado um pouco. Ela se casou, morava no Pedregal, trabalhava no Gama e estudava na Asa Norte. Todo esse percurso era feito de ônibus!
Depois da faculdade, quando já tinha filhos, decidiu fazer mestrado. Era danada, essa mulher! E foi o que fez, também na UnB. Depois fez doutorado, para o orgulho de toda a família. Hoje ela é professora, há 28 anos; vive muito melhor dos que nos tempos passados. Já escreveu um livro, teve filhos e plantou árvores, mas ainda não quer morrer.
Sabe quem é a menina que fugiu do fogo? Como diria Roberto Carlos, essa menina sou eu!

Rosário Ribeiro Alves – Gama, 19/03/2014

terça-feira, 20 de agosto de 2013

REDAÇÃO PREPARATÓRIA PARA O ENEM 2013

Oficina de redação desenvolvida pelo Projeto FORMANCIPA, em parceria com o SERPAJUS, por Rosário Ribeiro e Zenon.
Visite e conheça melhor nossas propostas de trabalho: http://serpajus.blogspot.com.br/



Tema: Cidadania e participação social
O poder dos jovens na participação social
Em junho de 2013, quando estava acontecendo a Copa das Confederações, tivemos um exemplo de participação social de jovens iniciada nas grandes capitais do país. A primeira motivação foi o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo, iniciando-se, assim, uma mobilização nacional nas redes sociais cujo lema foi “vem para a rua”. Mas será que sempre foi assim? Elas trouxeram transformações para a sociedade? Quais foram os seus benefícios e malefícios?
Para a sociedade brasileira as manifestações foram uma surpresa, pois, desde “os caras pintadas”, não havia uma mobilização popular em grande escala. Além da questão do transporte, outra insatisfação popular que gerou toda essa movimentação foi os gastos públicos para atender aos padrões exigidos pela FIFA, em detrimento ao atendimento das necessidades do povo. A partir disso, as reivindicações foram ampliadas para a saúde, a educação, a segurança e a reforma política para combater a corrupção, entre outras. Essa grande movimentação popular trouxe consigo dizeres adormecidos e reinventados: “o gigante acordou”, “verás que um filho teu não foge à luta”, “geração vinagre”, “não tem cura porque não sou doente”. Esses “slogans” serviram para demonstrar a criatividade, a capacidade crítica e o bom humor do brasileiro.
Pelo exposto, percebemos que não se pode fechar os olhos para os problemas da sociedade e nem desprezar o poder dos jovens, pois quando têm interesse e motivação podem fazer mudanças sociais. Dessa forma, são verdadeiros cidadãos que conhecem seus direitos e participam das transformações sociais, que já começaram a acontecer, como a aprovação do “programa mais médicos”, da redução das tarifas dos transportes públicos, revogação do “projeto de cura gay” e da PEC 37. Não podemos esquecer que além dos ganhos, tivemos também prejuízos ao patrimônio público pelos vândalos e aos direitos humanos, que, em alguns casos, foram violados pela repressão policial. (Turma do matutino)

Tema: Cidadania e participação social
O Cidadão em Ação

Não é de hoje que o Brasil é palco de manifestações para se obter mudanças sociais. Com o fortalecimento da democracia, aconteceram, por exemplo, movimentos importantes como as “Diretas já” e os “Caras pintadas”. Recentemente, as ondas de manifestações voltaram à cena com a mobilização dos jovens nas redes sociais, cujo estopim foi o aumento das tarifas do transporte público e o Movimento Passe Livre em São Paulo.
A expressão “o gigante acordou”, utilizada nas redes sociais, demonstrou que não só em São Paulo, mas em todo o Brasil, as pessoas foram às ruas em busca de mudanças, tais como: saúde, educação, transporte público e segurança. Além disso, os protestos foram contra a má utilização do dinheiro público e os altos custos na construção dos estádios para as copas.
É importante dizer que, a partir disso, não apenas os jovens, mas pessoas de todas as idades e classes sociais se uniram pelas mesmas causas, de forma apartidária. Essa união demonstra que os brasileiros tomaram maior consciência do poder de transformação que eles têm.
Contudo, uma minoria conseguiu atrair a atenção dos grandes grupos midiáticos com o seu vandalismo. Isso ressaltou o despreparo das forças policiais, que reprimiram com violência excessiva os manifestantes, muitos deles inocentes.
As manifestações surtiram efeitos positivos: redução da tarifa do transporte público, baixa da inflação, implantação do Programa Mais Médicos, redistribuição dos royalties do pré-sal, arquivamento da PEC 37 e início da discussão da reforma política. Tudo isso comprova que os jovens surpreenderam, fazendo valer seus direitos, saindo do comodismo, demonstrando vontade e interesse em protagonizar as mudanças necessárias.  (Turma do vespertino)


terça-feira, 21 de maio de 2013

Sabe o que é PEGADA HÍDRICA?

Posted: 20 May 2013 07:15 PM PDT
A Pegada de Água ou Pegada Hídrica é um indicador do uso direto ou indireto da água. Você usa água diretamente para beber, tomar banho, lavar as mãos, mas também de forma indireta, ao consumir artigos e serviços que utilizam água no seu processo de produção.
Assim, a Pegada Hídrica de um indivíduo, comunidade ou empresa é definida como o volume total de água doce que utilizado para produzir os bens e serviços consumidos pelo indivíduo, comunidade ou empresa. 
Em países muito pobres, como Etiópia, Bangladesh, Nigéria, o consumo de água é de 50 litros por pessoa/dia, enquanto que no outro extremo, em países ricos, como os Estados Unidos, esse consumo é de 570 litros
Veja, na tabela, quanto é usado de água para produção de alguns itens:
Essa água que não vemos quando gastamos, o volume de água que é gasto com um bem ou serviço é chamada de água virtual. Tal volume é medido a partir do volume de água consumido e/ou poluído, por unidade de tempo. Esse cálculo pode ser feito para um determinado produto, grupo de consumidores ou produtores e para um determinado local.
Veja na tabela que para produzir uma xícara de chá são usados 35 litros e para uma xícara de café 140. Imagine a economia de água se todos trocassem o café por chá...
Pensar em sustentabilidade dos recursos hídricos no mundo é pensar em diminuição do consumo e isso está diretamente ligado à redução da Pegada de Água.
A média global da Pegada de Água é de 1385 m3 ano/ pessoa. Mas o valor de cada país varia muito. Países muito populosos como China e Índia têm Pegadas de Água inferiores.

Veja gráfico abaixo
Clique na tabela para ampliar
O que fazer para reduzir a Pegada de Água?
Além das mudanças dos hábitos e padrões de consumo doméstico, é necessário rever o nosso sistema de produção agrícola. Ainda desperdiça-se muita água nesse setor. Diante disso, torna-se necessário o aumento da eficiência da utilização da água, com melhor aproveitamento da água da chuva e alterações no sistema de irrigação, assim como, diminuir o uso de agrotóxicos e fertilizantes. 
Outra medida é usar sabão e detergente que tenham pouco ou nenhum fosfato na sua composição. Isso porque o fosfato favorece a proliferação de algas nos rios, reduzindo o oxigênio para os peixes.
Recomendamos que visitem:

terça-feira, 26 de março de 2013

Textos de alunos publicados na Folha do Meio Ambiente


Cartas

21/03/2013

 

Alunos escrevem carta-manifesto

contra monstros invisíveis

 

Alunos da 3ª série do Ensino Médio, turma B, do Centro Educacional 08 do Gama, orientados pela professora Maria do Rosário do NR Alves, redigiram várias cartas relacionadas às atividades de educação ambiental. Vale a pena conferir alguns trabalhos:

 
 
Consumo desenfreado
 “A nosso ver, o consumo desenfreado da sociedade moderna é uma das maiores causas dos desastres ocorridos na natureza. Isso acontece porque, nos dias atuais, as pessoas estão cada vez sendo induzidas a consumirem mais, e com o mercado consumidor cada vez mais alto, é necessária a exploração de mais recursos naturais.
Sendo assim, ocorrem mais desmatamentos. Nas margens dos rios, lagos, das encostas das montanhas, Há mais extração de minerais e todos os tipos de recursos e com isso cria-se um efeito dominó.
Por isso, ocorre um dos maiores problemas ambientais, que é o Aquecimento Global. As suas consequências são: derretimento das geleiras Glaciais assim aumentando o calor e diminuindo o reflexo do sol, com o derretimento das geleiras aumentam também os furacões em 50%, causando sérios danos à população. 
Em meia década perdemos 90% das espécies de peixes e com as toxinas liberadas pelas indústrias somam 18 milhões de toneladas jogadas ao mar, o que ajuda em nada na preservação da vida marinha. Conclusão: todos os organismos da biosfera estão em declínio. O que estamos fazendo para melhorar essa realidade? Qual a herança que estamos deixando para as novas gerações?
Alunos:  Ana Diulia-3, Gabriel Costa-9, Mayara Feitosa-24, Phidel Kastro-26
 
 
Políticas públicas
“A sociedade vem enfrentando diversos problemas ambientais tais como: aquecimento global, alteração nos regimes de chuva, perda de biodiversidade, desmatamento, desertificação, poluição do ar e da água, perda de fertilidade dos solos, dentre outros que afetam a vida humana.
Sabemos que existem diversos problemas na política ambiental de governo como a extensão de importantes setores dentro dos órgãos de meio ambiente, graves deficiências estruturais dos órgãos ambientais federais, que dificultam o desenvolvimento e a implementação das políticas públicas voltadas ao tratamento da questão ambiental, inexistência de planejamento e precariedade na gestão no Ibama.
Há também deficiências no serviço florestal brasileiro com existência de incongruências entre as missões institucionais e suas diretrizes, nas estruturas organizacionais, nas prioridades dos órgãos, nas linhas de ação, além da inexistência de metas claras para orientar e avaliar suas ações entre outros.
Carlos Henrique, Dennis Vinicius, Douglas de Sousa e Renan Vinicius - CED-08 - Gama DF
 
 
Mudança de atitude
Percebemos que a cada ano as temperaturas estão ficando mais elevadas, assim, perdemos totalmente o controle sobre o clima. Como exemplo desse descontrole, alguns anos atrás as estações eram bem definidas, o verão era um período de elevadas temperaturas e dias mais longos, o inverno era um período de baixas temperaturas, mas hoje, as temperaturas ou são elevadas demais ou são baixas demais.
Com essa desorganização do clima, pessoas, animais e plantas estão sofrendo as consequências. Com a ajuda da poluição, do descontrole climático, dentre outros, as doenças raras estão ficando comuns tais quais, câncer, alergias, dores de cabeça.
Diante de todo o exposto temos a firme convicção de que é preciso mudar sua atitude em relação ao meio ambiente. A ação individual é importante, se cada um fizer a sua parte teremos uma vida melhor. 
Alunos: Ana Cristina-2, Karine de Sousa-15, Luana Letícia-19 e Raquel Dias-28
 
 
Preservação ambiental
‘Somos contra o desmatamento, a poluição e qualquer forma de agressão ao meio ambiente. Do nosso ponto de vista o planeta está em completo declínio ambiental. Podemos colocar em questão os desastres naturais, o consumo excessivo, o aquecimento global, a extinção de várias espécies animais e tantos outros problemas que causamos ao meio em que vivemos.
       Conforme já registrado por inúmeros ambientalistas, se não tomarmos as providências necessárias e não melhorarmos nossas ações, em poucos anos sofreremos ainda mais as consequências dos nossos atos, pois a natureza não consegue substituir em ritmo acelerado tudo aquilo que retiramos excessivamente. Se cada um de nós fizer nossa parte, reduziremos parcialmente os danos causados ao planeta’.
Alunos: Krys Ellen Lins, Grazielle Gualbert , Welberth Ferreira, Luiz Guilherme.
 
 
Desmatamento: tolerância zero
‘O fato de não cuidarmos da natureza está se agravando cada dia mais, a falta de conscientização das pessoas está afetando o futuro da nação e o futuro da humanidade.
A gravidade do problema é altamente preocupante, pois todos os organismos estão em declínio. Já não é possível encontrar água potável em grande abundância, as florestas estão destruídas e desmatadas, o ar que respiramos é poluído, ou seja, não temos estabilidade, estamos destruindo o meio ambiente, e nos destruindo automaticamente.
Lembremos ainda que, por conta do desmatamento, os habitats naturais estão sendo destruídos e não há como voltar atrás, pois muitos animais já estão extintos’.
Alunos do CED-08 (Juliana Alves, Elizabeth Herllen, Thamilla,Tatiane, Wallafi)